A maioria das perspectivas do ano passado para o setor de Data Center se centrava em equilibrar o crescimento da digitalização com práticas mais sustentáveis. Entretanto, não havia forma de conhecer o impacto que teria a atual interrupção massiva do panorama geopolítico, assim como a chegada de uma grave crise energética. Eaton, empresa líder em gestão de energia, analisa as previsões e tendências que a indústria de centros de dados encontrará nos próximos meses.

A aposta pelas renováveis para enfrentar a incerteza energética

O maior problema que a indústria enfrenta agora é o preço extraordinariamente alto da energia. O custo aumentou ao ponto de se tornar uma verdadeira preocupação para os grandes consumidores de energia, como os proprietários de centros de dados. Embora o argumento a favor de uma estratégia de geração renovável sempre girou em torno à sustentabilidade e ao meio ambiente, hoje em dia necessitamos das energias renováveis para proteger o fornecimento dos países europeus, principalmente por razões de segurança energética, sustentabilidade ambiental e custo.

A Microsoft, por exemplo, está dando um passo nessa direção. Seu Data Center de Dublin conta com bancos de baterias de iones de litio homologados para sua conexão a rede, com o fim de ajudar aos operadores de rede a fornecer energia ininterrumpida no caso de que as fontes renováveis como o vento, o sol e o mar sejam insuficientes para satisfazer a demanda. Esta necessidade de acelerar a geração de energia renovável é, de fato, uma prolongação das perspectivas do ano passado. A diferença é que agora é muito mais urgente.

As consequências das alterações nas cadeias de fornecimento continuarão

A COVID teve um grande impacto nas cadeias de fornecimento mundiais de muitos setores. Entretanto, uma vez que o quadro da pandemia melhorou, empresas de todo o mundo foram influenciadas por uma falsa sensação de segurança, acreditando que já havia passado o pior. Ninguém esperava uma crise geopolítica que demonstrasse ser ainda mais perturbadora para algumas cadeias de fornecimento, em particular os semicondutores e os metais básicos, vitais para a construção de centros de dados. Como um mercado de alto crescimento, o setor de centros de dados é muito sensível às alterações das cadeias de fornecimento, e segue lutando contra a interrupção que surge nelas. As medidas adotadas pela Eaton, no aprovisionamento de materiais, permitirão minimizar o impacto na cadeia de fornecimento.

O desafio de estar atualizado na digitalização

A necessidade de evolução digital tem alcançado um nível sem precedentes. Foram exploradas todas as formas possíveis para satisfazer essa necessidade de forma mais simples, rentável e no menor tempo possível. Mas essa tarefa pode ser contraditória com a natureza de muitos ambientes complexos e de missão crítica. Um Data Center engloba um mundo de tecnologias diferentes, incluindo sistemas de climatização, engenharia mecânica e estrutural, TI e computação. O desafio consiste em tentar acelerar esse tipo de ambientes tão complexos e interdependentes para manter as tendências atuais de digitalização.

Para isso, os desenhadores, operadores e fornecedores de Data Centers estão criando sistemas que reduzam esta complexidade respeitando ao mesmo tempo o carácter crítico das aplicações. A industrialização, ou modularização, dos Data Centers, nos que se entregam in situ unidades pré fabricadas, pré desenhadas e pré integradas, é uma forma de fazer que o design e a construção de um centro de dados sejam menos complexos ao mesmo tempo que se acelera sua comercialização.

Aparecem novos clusters no mercado deixando atrás aos tradicionais

Até agora, Londres, Dublin, Frankfurt, Amsterdam e Paris foram os clusters tradicionais de Data Centers. Entretanto, para oferecer serviço de qualidade e estar mais perto dos centros da população e atividade econômica, cada vez é mais favorável construir Data Centers em cidades secundárias das principais nações econômicas e nas capitais das nações econômicas menores. A competitividade entre os fornecedores de Data Centers é forte, por isso muitas dessas cidades e países secundários permitem o crescimento dos operadores existentes ou um ponto de entrada baixo para os novos operadores.

Por este motivo, observamos uma maior atividade em cidades como Varsóvia, Viena, Istambul, Nairobi, Lagos ou Dubai e, especialmente, Madri, HUB digital para o sul da Europa.

Entretanto, esta expansão não está isenta de dificuldades. A disponibilidade de locais adequados, energia e mão de obra de engenharia acrescentam complexidade às operações gerais de uma organização, e muitos desses países podem não ter experiência ou pessoal para ajudar com o desenho, a construção e o funcionamento de um novo Data Center. Para superar esses desafios, os proprietários de Data Centers terão que reaprender sobre o setor cada vez que se mudem a uma nova zona geográfica.

Apesar das dificuldades, muitos operadores tentam ser os primeiros a entrar em mercados secundários em desenvolvimento. De fato, muitas jurisdições recebem os operadores de Data Centers com os braços abertos, e algumas inclusive oferecem incentivos e subvenções para atraí-los. As tendências indicam que os operadores serão capazes de lidar com o temporal para afrontar o que lhes depara o futuro.

“2022 foi um ano crucial para a indústria de data centers. Vimos uma grande quantidade de empresas que decidiram dar o passo para investir nestas instalações, abrindo novos centros em diferentes lugares do mundo, inclusive grande parte de nosso país ", indica Ricardo Ambrona, responsável de marketing para Data Center da Eaton Iberia. “A sociedade já está descobrindo vantagens e benefícios que são capazes de contribuir aos Data Centers, e as previsões que analisamos, como a entrada ao mercado de novos operadores em novas cidades, a aceleração das energias renováveis, e o avanço em matéria de digitalização, fará que a indústria se consolide e seja ainda mais estável em 2023”.