O setor elétrico brasileiro enfrenta um novo desafio pouco tempo após a criação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (ReData). A medida, oficializada em setembro por meio de uma medida provisória, tem como objetivo reduzir a carga tributária sobre a importação e aquisição de equipamentos de tecnologia da informação, como GPUs, switches e racks, destinados a data centers, de acordo com o Petronotícias.
De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), em pouco mais de 60 dias desde a implementação do regime, o país já registrou um acréscimo de 6,4 gigawatts em novos projetos de data centers. Esses empreendimentos protocolaram pedidos de estudo de mínimo custo global junto ao Ministério de Minas e Energia (MME), etapa necessária para a obtenção de portaria que autoriza a conexão à Rede Básica.
O volume de empreendimentos em análise no Ministério de Minas e Energia (MME) passou de 19,8 gigawatts em setembro de 2025 para 26,2 gigawatts em novembro. A maior parte dos projetos está concentrada em São Paulo, especialmente nas regiões metropolitanas da capital e de Campinas.
Diante desse cenário, a Programação de Estudos 2025 passou a incluir avaliações específicas para a expansão da transmissão nessas áreas. Parte dos estudos já foi concluída e resultou na recomendação de investimentos de aproximadamente 1,6 bilhão de reais para o reforço do sistema elétrico paulista. As obras têm potencial para liberar cerca de 4 gigawatts de margem de conexão para novos empreendimentos, tanto na rede de distribuição quanto na Rede Básica.
Os estudos voltados ao estado de São Paulo permanecem em andamento e deverão resultar em novas recomendações de obras de transmissão. De acordo com a EPE, essas intervenções serão incorporadas aos próximos leilões previstos para 2026. A expectativa é que os projetos ampliem significativamente a capacidade de conexão da rede elétrica paulista.
Segundo a EPE, o conjunto de reforços planejados poderá acrescentar aproximadamente 5 gigawatts de margem de conexão em todo o estado. Esse acréscimo será fundamental para atender à crescente demanda, impulsionada por novos empreendimentos, especialmente por data centers e outras instalações de alta intensidade energética, garantindo maior segurança e estabilidade ao sistema elétrico regional.
Para o estado do Rio de Janeiro, está previsto para 2026 um estudo específico voltado à inserção de grandes cargas no sistema elétrico. O objetivo será avaliar as condições atuais da rede e identificar alternativas de reforço necessárias para viabilizar a conexão de aproximadamente 4 gigawatts em novos projetos. A análise contemplará a capacidade remanescente das principais subestações e corredores de transmissão, considerando critérios de confiabilidade e limites de curto-circuito, com o objetivo de propor soluções adequadas ao crescimento esperado.
No Rio Grande do Sul, a programação de estudos de 2025 inclui o “Estudo Prospectivo para Inserção de Cargas de Data Centers no Estado do RS”. A iniciativa foi motivada por um projeto em análise no Ministério de Minas e Energia (MME), que prevê uma demanda total de até 5 gigawatts.
Já no Nordeste, um estudo em andamento busca ampliar a capacidade de conexão destinada a grandes cargas em cerca de 4 gigawatts, reforçando a infraestrutura elétrica da região.
A EPE destacou que, apesar da expansão observada, a concretização dos projetos no horizonte de dez anos está condicionada a diversos fatores. No caso dos data centers, embora o crescimento seja impulsionado pela digitalização da economia e pelo avanço da inteligência artificial, a maturação dos empreendimentos depende da disponibilidade de infraestrutura nos sistemas de transmissão e telecomunicações, da viabilidade econômico-financeira e do cumprimento das novas regras de garantias para conexão.
Segundo a estatal de planejamento, esses elementos serão determinantes para assegurar que os projetos avancem de forma consistente e sustentável.
As análises em curso têm considerado diferentes alternativas tecnológicas como possíveis soluções para ampliar a capacidade do sistema elétrico e viabilizar a inserção de grandes cargas. Entre elas estão os dispositivos de Dynamic Line Rating (DLR), que permitem ajustar os limites operacionais das linhas de transmissão de acordo com as condições ambientais, aumentando a flexibilidade e o aproveitamento da infraestrutura existente.
A lista de opções inclui também equipamentos de eletrônica de potência, conhecidos como FACTS (Flexible AC Transmission Systems), como o SSSC (Static Synchronous Series Compensator), utilizados para o controle de fluxos de energia e a melhoria da estabilidade da rede. Além disso, estão em avaliação o uso de baterias para armazenamento e suporte ao sistema, bem como o reconduzimento de linhas com cabos de alta temperatura e baixa flecha (HTLS), capazes de elevar a capacidade de transmissão sem necessidade de grandes obras civis.
Segundo estudos, essas soluções tecnológicas podem ser implementadas no curto e no médio prazo, oferecendo alternativas viáveis para atender à crescente demanda por conexão de grandes empreendimentos, como data centers e outras instalações de elevado consumo energético.
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