A pergunta do título, feita por Carlos García de La Noceda, se converteu em um dos debates mais populares no grupo do Linkedin do DatacenterDynamics Global. Veja como foi a discussão e aproveite para entrar no grupo em português para participar dos debates atuais.
Carlos García de La Noceda, executivo de operações: O investimento em uma instalação Tier IV 99.9999999 até o infinito é realmente necessária? Mandamos o homem para a Lua e de volta com pouco mais que cálculos no papel, walkie-talkies (praticamente) e menos poder de computação que meu relógio Cassio! Há realmente uma necessidade, por razões técnicas, não comerciais, para esse tipo de instalação, especialmente quando a organização tem sistemas de replicação em outros pontos?
Amod J, diretor de meios críticos em Hong Kong: para a maioria das empresas, um data center Tier III com um compromisso firme por parte da gerência para o apoio contínuo pela manutenção, peças de reposição para componentes críticos e capacitação do modelo deveria ser suficiente. Mas, além disso, há o desejo de se gabar.
Rahul Shewale, consultor da Capgemini na Índia: tudo depende do tipo de confiança e os SLAs com o cliente final que tem os dados alojados nos servidores dos data center. Se estamos buscando centros de dados robustos e confiáveis, Tier IV é indispensável, mas se miramos eficiência e infraestrutura necessária, um Tier III é mais eficiente e rentável.
Carlos García de la Noceda: Tier IV – o que é definido pelo Uptime Institute, em sua interpretação ampliada da norma ANSI/TIA-942 – é uma panaceia. O investimento necessário em todos os aspectos para uma instalação Tier IV é um desperdício, em minha opinião. É possível construir um data center Tier III+ com uma infraestrutura mais confiável que uma instalação Tier IV padrão. É preciso ter em conta a confiança e qualidade do equipamento, a manutenção, a capacitação do pessoal, as equipes de trabalho, os procedimentos, a segurança, etc. Cada um desses fatores podem aumentar o risco, reduzir a confiança ou aumentá-la, se tudo é feito adequadamente.
Rhys Jones, eletricista sênior da JCA Engineering: Eu não diria que a Uptime tem uma interpretação ampliada da TIA, dado que o alcance de sua classificação Tier é realmente mais amplo que um padrão nacional. Creio que também é preciso ser cuidadoso com o uso de terminologias. Em termos de confiança, é demonstrável que “n” geradores são mais confiáveis que “n+1”; mas a resistência dessa última estrutura anula o impacto catastrófico de uma falha em um conjunto.
Creio que a grande pergunta deveria ser se há a necessidade de ter uma topologia de redundância única em seu data center e também se na época da computação distribuída o Tier de uma única instalação é realmente relevante.
Aprofundarei nesse comentário no contexto do tipo de cliente que provavelmente construirá um data center Tier IV (em contraposição com uma instalação crítica baseada em Tier IV). Geralmente, o cliente que pode justificar o custo de uma instalação Tier IV vai ser um grande operador multinacional que, hoje em dia, provavelmente seja capaz de executar funções de TI concorrentes distribuídas nos diversos sítios que utilizam uma infraestrutura altamente virtualizada.
Tendo em conta o que foi publicado sobre os princípios “Guiding The Cloud”, de Deerns, eu havia pensado que um enfoque “follow-the-moon” (baseado em programar trabalho durante a noite para diminuir custos no data center em eletricidade, por exemplo) podia ser utilizado de tal forma que uma plataforma cloud globalmente distribuída poderia dirigir os processos TI às instalações que estão se beneficiando de tarifas de energia de custo reduzido durante períodos de baixa demanda.
Nesse sentido, se a plataforma está distribuída sobre sítios suficientes, porque se incomodar em ter até um Tier III? Posso ver o benefício de contar com quantidades adequadas de redundância em termos de coolers, quando se utilizam uma solução por ar indireto, de forma que se posa minimizar seu uso para maximizar a economia sem diminuir o rendimento.
Henk Waardenburg, consultor de infraestruturas físicas de TI na Holanda: creio que uma organização que necessite de um data center Tier IV ou bem está fazendo algo muito secreto ou não tem um política de processamento distribuído em bom funcionamento. Aliás, um Tier IV é impossível em algumas partes do mundo (como na Holanda) devido ao simples fato que não se pode encontrar nenhuma localização com redes gestionadas separadas em ao menos dois provedores diferentes.
Quando penso em todos os problemas que vi no passado causados por equipamentos que supostamente deveriam proteger às Tis, chego a conclusão de que múltiplos centros de dados Tier I em meio de processamento distribuído são muito mais benéficos.
Carlos García de la Noceda: A resposta, em minha opinião, é que cada solução de data center tem que ser analizada e considerada detidamente caso a caso, tendo em conta todas as variáveis possíveis, mas sempre utilizando a sustentabilidade do negócio do cliente como a última prova decisiva. A certificação Tier está tratando de encaixar um complexo conjunto de decisões e soluções em pacotes comerciais.
William Angle, diretor da CS Technology em Baltimore: a diferença entre um data center Tier III+ e um Tier IV é uma contenção de equipamentos mecânicos e elétricos para proporcionar confiança. Portanto, estamos discutindo sobre um pequeno aumento de custo por um projeto tolerante a falhas em uma instalação Tier IV. Tenho certa experiência no campo, posto que fui parte da equipe de projeto que construiu a primeira instalação Tier IV no mundo, e sabíamos, naquele momento, as razões pelas quais tínhamos decidido ter uma instalação resistente a falhas e sustentável ao mesmo tempo.
Um maior desenvolvimento da parte operacional nesse campo é tão importante como o projeto, posto que quase 60% de todas as falhas de infraestrutura ocorrem por causa das pessoas, não por defeitos na infraestrutura.
É certo que há instalações Tier III que são mais confiáveis que algumas Tier IV, devido à engenharia de alta confiança desenvolvida para capacitar, documentar, proporcionar procedimentos e indetificar adequadamente os elementos operacionais do data center.
Também é verdade que os níveis Tier não abordam muitos aspectos do data center que contribuem com o custo (segurança, estrutura, densidade elétrica, eficiência, etc.) e a posterior confiança e eficiência dos ativos. Os requerimentos do negócio determinarão onde se gasta o dinheiro e a que nível deveria ser projetada a infraestrutura.