O impacto, usos e benefícios da inteligência artificial do data centerserá uma das temáticas em destaque da 11ª edição do DCD>Brasil, que acontece nos dias 5 e 6 de novembro, no Centro de Eventos Pro Magno, em São Paulo. O painel contará com a participação de Luis Fernando Vieira Quevedo, Estrategista de TI da Innovo Tecnologia; Cezar Taurion da Kick Ventures e i2a2 (Instituto de Inteligência Artificial Aplicada), Flávio Brígido do Grupo Globo e André Torres Bueno do Banco Santander.

Um número crescente de sensores inteligentes está se tornando disponível para receber dados de vários elementos de data center, devolvendo, ao mesmo tempo, insights cruciais sobre suas condições mecânicas, elétricas ou ambientais. Esses dados podem ser usados por algoritmos sofisticados para analisar possíveis anomalias em todo o sistema, tomar decisões corretivas no momento ou antecipar-se a problemas de forma eficaz.

Neste painel, os especialistas vão debater sobre como a Inteligência Artificial deve ser implementada em um data center e a forma como deve ser o início desta implementação, além de entender como pode levar a operação em um data center a níveis de excelência nunca antes experimentadas. Dentro da realidade brasileira, quais são os próximos passos a seguir e como deve ser o caminho a ser percorrido?

Implementação da Automação em um Data Center

Para Cezar Taurion da Kick Ventures e i2a2 (Instituto de Inteligência Artificial Aplicada) os data centers tradicionais estão sentindo o impacto da disrupção da Cloud, da Edge Computing, dos avanços em Colocation e dos serviços de Hosting. Os avanços nas áreas de energia, resfriamento, telecomunicações, Inteligência Artificial (IA), operações, hardwares e softwares estão transformando radicalmente os data centers. 

Por isso, já estamos começando a ver os primeiros sinais de aplicação da IA na Automação dos data centers. A capacidade de algoritmos de IA avaliarem e tomarem decisões em cima de múltiplas variáveis é bem maior que nós, seres humanos, pela nossa limitação de só conseguirmos trabalhar com poucas variáveis ao mesmo tempo. Em um mundo no qual coletamos e processamos dados na escala dos zetabytes, muitos dos quais em tempo real, precisamos de data centers com imensa capacidade computacional. 

Para gerenciar este imenso poder computacional precisamos de profissionais altamente preparados e em grande número, afirma. Ter este staff custa muito dinheiro e o método tradicional de gerenciar “na mão” não é adequado. Cezar utiliza uma analogia com um complexo avião a jato de passageiros, dizendo que em um vôo Rio-Paris o piloto só toca nos controles de 6 a 7 minutos no máximo, e todo o vôo é gerenciado de forma automática. O mesmo acontecerá em um data center, diz. O staff só será acionado quando os algoritmos não conseguirem resolver um problema. Dito isso, em vez de quantidade, precisarei de qualidade, com staff de alto nível. Assim, um data center automatizado com IA terá uma pequena, mas altamente preparada equipe. Se não adotar IA, um grande data center poderá se tornar inviável, conclui.

Segundo Flávio Brígido do Grupo Globo, cada data center é especifico e tem suas particularidades. É preciso avaliar por onde é mais viável implementar a Automação para não impactar o data center. O uso da IA para monitorar e automatizar o gerenciamento de componentes como: energia, infraestrutura de resfriamento, sistema de rack e segurança, traz um retorno de aproximadamente 15% do custo de energia. 

Os dados sobre gerenciamento da IA são analisados por algoritmos. À medida que as condições mudam, o sistema aprende com as mudanças e se ajusta, aumentando assim a confiabilidade e a eficiência das instalações. Para um profissional de TI, a inclusão da IA pode ser entendida como a contratação de um super analista, afirma.

Já para Luis Fernando Vieira Quevedo, Estrategista de TI da Innovo Tecnologia, a Automação deve ser prevista desde o início do projeto do data center e ser aprimorada continuamente, com foco na eficiência energética e operacional da infraestrutura de facilities, otimização dos recursos hospedados no data center, balanceamento de carga e provisionamento de novos serviços, previsão de falhas, detecção de ataques e blindagem contra ameaças cibernéticas, bem como Automação dos processos para elevar a resiliência e agilizar a recuperação em caso de desastre.

E, adiciona, a Automação com recursos de IA irá automatizar inúmeras tarefas associadas a gestão do data center, liberando parte da equipe operacional para exercer outras atividades. As organizações precisarão planejar novas funções para estes profissionais e apresentar programas de treinamento, facilitando o seu crescimento profissional.

A IA e a Automação já são uma realidade nos data centers do Brasil? Quais serão os próximos passos a seguir?

Na opinião de Luis Fernando Vieira Quevedo a revolução da IA ainda não chegou para a maioria  dos data centers se focarmos apenas em questões de Automação de facilities, como otimização de energia e climatização, conforme iniciativas em mega data centers do Google, Microsoft, Amazon e Facebook, que estão investindo fortemente na eficiência energética por meio de IA e desenvolvimento de novas arquiteturas de infra em conjunto com diversos fabricantes do setor no Open Computing Project, visando não apenas elevar o grau de sustentabilidade dos data centers com redução de custos, mas prepará-los para absorver a crescente demanda de energia e refrigeração dos novos servidores de computação quântica e alto desempenho (HPC), que se tornarão cada vez mais comuns com a evolução das redes neurais e sistemas cognitivos.  

Por outro lado, se focarmos na evolução das plataformas DCIM e Automação de processamento, armazenamento e blindagem contra ameaças cibernéticas, a IA já vem sendo utilizada e aprimorada nos data centers definidos por software do Brasil e do mundo, realocando dinamicamente os servidores virtuais entre os pools de servidores físicos, possibilitando que sejam desligados ou ativados de acordo com a demanda, remanejamento de dados armazenados de acordo com seu uso e regras de priorização, alternando entre discos de maior ou menor desempenho, como memórias flash, SSD ou SAS na tierização de storages, possibilitando inclusive garantir a continuidade do negócio com ativação automática dos serviços em sites de contingência em caso de desastre, tudo isso sem intervenção humana.

Os gerenciadores de banco de dados estão se tornando cada vez mais autônomos e cognitivos, reduzindo a dependência de DBAs para determinadas atividades operacionais, melhorando o desempenho e segurança, além de reduzir falhas humanas. As soluções atuais de antivírus, novas gerações de firewalls e WAF (Web Application Firewall) utilizam algoritmos de IA para detectar anomalias no acesso aos data centers, bloqueando atividades suspeitas, o mesmo se aplica nos mecanismos de gerenciamento de disponibilidade e detecção de causa raiz de incidentes, correlacionando eventos ao avaliar alertas e as gigantescas logs geradas pelos diversos equipamentos hospedados no data center, chegando a abrir chamados de reparação diretamente com o fabricante  ou operadora de telecom, acompanhando o SLA de atendimento até a reparação do equipamento ou reestabelecimento do link de comunicação de dados. 

Sem automação seria impossível gerenciar os data centers atuais, mas a medida que a IA vem sendo incorporada neste processo, revelará um potencial promissor em vários setores da indústria. Em breve, a IA dominará o mundo dos data centers e provedores de serviços, ajudando proativamente na recuperação de desastres e conformidade regulamentar. Os data centers e os provedores de serviços de Colocation devem utilizar a IA para acompanhar as tendências emergentes da tecnologia e obter uma vantagem competitiva, conclui Quevedo.

Ainda temos um longo caminho a percorrer, afirma  Cezar Taurion. Muitos grandes data centers ainda não têm um nível de Automação adequado e muito menos usam IA. Na verdade, a revolução da IA ainda não chegou na imensa maioria dos data centers, a não ser daqueles bem sofisticados, como Google ou Amazon. Mas ele acredita que a IA será adotada mais intensamente nos próximos anos.

A corrida dos grandes data centers em busca de automação e de melhor gerenciamento já começou, acredita Flávio Brígido. Os data centers convencionais estão com os dias contados. De acordo com as pesquisas realizada pelo Gartner, até 2020 mais de 30% dos data centers que não implementarem IA em suas automações deixarão de ser operacionais e economicamente viáveis. 

Descubra todas as novidades do DCD>Brasil 2019

Além do painel de Automação, o DCD>Brasil contará com conteúdos relacionados às tendências e melhores práticas de data center (desenho, construção, cabeamento, energia e refrigeração).  Os profissionais do ecossistema tecnológico brasileiro têm um encontro marcado na 11º edição do congresso, que acontece nos dias 5 e 6 de novembro, no Centro de Eventos Pro Magno, na cidade de São Paulo.

Garanta seu lugar no DCD>Brasil: https://dcd.events/conferences/brasil2019#tickets  

Sobre a DCD

A DCD é uma plataforma de informação global focada na indústria dedata center. Abrange cinco continentes, mais de 100 países, tem seis escritórios e oferece um acesso incomparável para os clientes através de 26 eventos anuais, além do alcance domeio de comunicação global.

A DCD busca proximidade com o setor de data center em todas as regiões dos eventos, estabelecendo relações individualizadas com todos os profissionais com os quais se relaciona. Este contato pessoal, juntamente com um amplo conhecimento da dinâmica do setor,  faz da DCD muito mais que uma fornecedora de mídia B2B, destacando-se pela quantidade e pela qualidade dos relacionamentos globais estabelecidosem longo prazo.

DCD>Events

Com 26 conferências anuais, consolidadas em capitais importantes em todo o mundo, os eventos da DCD são reconhecidos como o ponto de encontro para o setor, no qual os principais especialistas compartilham seus conhecimentos e experiência com os líderes de infraestrutura em cada mercado.

Em 2017, mais de 26.000 professionais seniores participaram dos congressos da DCD, criando o fórum mais influente da indústria na atualidade.

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