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A Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev) assinou contrato de R$ 124,4 milhões para a modernização e ampliação do Centro de Processamento de dados do Rio de Janeiro (CPRJ). O projeto, a cargo da Aceco TI, prevê a construção da maior sala-cofre já montada pela fornecedora em toda a América Latina, com 488 m². A obra é também a maior das três reformas promovidas nos data centers da Dataprev — localizados na capital carioca, em São Paulo e em Brasília –, que totalizam um orçamento de cerca de R$ 200 milhões.

“A nova infraestrutura dos Centros de Processamento é parte de um conjunto de ações e investimentos para oferecer aos nossos clientes ambientes com alta tecnologia, maior segurança e estabilidade nos serviços”, afirma Daniel Darlen, diretor de Infraestrutura de TIC (DIT) da empresa.

“Dentro de dois anos, a capacidade de processamento e de oferta de serviços da empresa vai mais do que duplicar, resultado da expansão dos três centros de processamento”, calcula Elias Otavio de Paula Mussi, superintendente de Operações (Suop) da Dataprev. Na área de storage, o incremento pode chegar a cinco vezes mais. A modernização dos centros de processamento de dados responde pela maior parte dos investimentos de R$ 230 milhões programados pela empresa para 2013. As obras do CPRJ têm prazo estimado de 24 meses; as do centro de processamento de São Paulo (CPSP) serão concluídas até o final deste ano (2013); e a reforma do CPDF, em Brasília, ficou pronta em setembro de 2012.

Os novos sites foram desenhados de acordo com o padrão TIA 942, classificação Tier 3, do Uptime Institute, consórcio internacional que consolida melhores práticas relacionadas a data centers. Com a topologia de rede elétrica Tier 3, não são mais necessárias as paradas programadas para manutenção dos equipamentos, que interrompem as atividades do CP em geral de três a quatro vezes por ano, destaca Cesar Cinelli, gerente da Divisão de Manutenção (Dima) da Dataprev. Este ano, o novo CP de Brasília já não fez paradas para manutenção.

Toda a infraestrutura dos centros de processamento será duplicada e redundante, diz Cinelli. Além disso, segundo Mussi, ao final de 2014 as informações de monitoramento dos ambientes, geradas por diferentes sistemas, passarão a ser centralizadas em um grande painel eletrônico, com todos os alertas e indicadores.” Segundo o superintendente, quando os CPs estiverem todos operacionais, o objetivo é iniciar os processos para obter a certificação internacional Tier 3. A nova sala-cofre do Rio vai ser a segunda do CPRJ, que mantém a atual, com 114 metros quadrados.

No CPDF, a sala-cofre tem 115 m²; a do CPSP passará a contar com instalação de 201 m² (além da atual, com 77 m²); e a do CPRJ, com 488 m² (mais a atual, de 114 m²). A Aceco TI, fornecedora encarregada da reforma, é certificada pela ISO 9001, que garante ainda a aderência da sala-cofre às exigências das normas NBR 15247 e  NBR 11515, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que estabelecem os limites críticos de temperatura e umidade para hardware e discos.

Virtualização

Junto com a infraestrutura, também estão sendo renovados os servidores Risc e os modelos x86, desde o ano passado. A modernização dos computadores facilita a forte tendência à virtualização — quando sistema operacional e aplicações da máquina passam a rodar independente do hardware hospedeiro  (estrutura física) do servidor. Atualmente, a Dataprev conta com dois terços de seu parque produtivo virtualizado, índice que deve crescer.

 “Os principais benefícios da virtualização são a sua grande eficiência e flexibilidade. É possível disponibilizar ambientes para atender a demandas internas – para  homologação, testes, treinamento –, ou de clientes, de forma bem mais rápida”, compara Mussi. “A migração de aplicações de um servidor virtual para outro, por exemplo, pode ser feita sem desligar a máquina; apenas gerenciando o processo pelo console. E, se uma máquina física ficar indisponível, o ambiente virtualizado se reinicia, automaticamente, em outra.”

“A experiência que nossos técnicos adquiriram operando ambientes virtualizados e a renovação do parque tecnológico dos três centros de processamento credencia a empresa a um novo papel: o de fornecedor de infraestrutura de tecnologia”, ressalta Darlen, da DIT.

A consolidação de muitas máquinas virtuais num servidor único, contudo, requer capacidade de transmissão de dados robusta. Tanto no backbone que interliga os centros de processamento das três capitais (CPRJ, CPSP e CPDF), quanto nas saídas de dados para internet, está sendo licitado um aumento de 1 Gbps (Gigabits por segundo) para 3 Gbps.

Equipamentos novos, de tecnologias mais modernas, infraestrutura mais potente e segura, tudo isso, de acordo com Carlos Henrique Bandeira dos Santos, gerente do CPRJ, vai transformar o site numa referência em centro de processamento de dados para aplicações e tecnologias sociais, no apoio a políticas públicas. “Teremos segurança e capacidade para suportar mais serviços, mais demanda, mais interação”, diz. “Poderemos absorver todas as inovações e tecnologias de ponta que chegam ao mercado sem limitações de infraestrutura. Apenas esse perspectiva já produziu nova motivação para técnicos e profissionais do CPRJ.”

Inicialmente, os CPs vão operar com cerca de 40% a 50% da capacidade máxima. Uma das características importantes dos novos sites será a possibilidade de crescerem gradualmente, de forma modular, acompanhando o aumento da demanda, a chegada de novos projetos e clientes. “Sem obras nem muito custo, posso passar de 1.200 kVA para 1.500 kVA, para 1.800 kVA, e assim por diante”, diz Mussi. “Não é mais preciso mexer nos circuitos nem nos quadros elétricos, na central de distribuição de água, nem nas tubulações, encanamento. Basta instalar os novos no-breaks ou chillers de refrigeração.”

Sustentabilidade

Os equipamentos (circuitos de energia elétrica, transformadores, geradores, no-breaks, chillers, etc) e os projetos mais modernos dos CPs resultam também em um ambiente mais sustentável, com menor consumo de recursos. Considerando a utilização plena das instalações, são esperadas economias totais de R$ 8,3 milhões no consumo anual de energia elétrica (R$ 2,9 milhões no Rio, e R$ 5,4 milhões em São Paulo), calcula Cinelli. Além de outros R$ 800 mil/ano não gastos com água. Ou seja, uma redução total de custos de R$ 9,1 milhões por ano.

As bombas das novas máquinas de climatização, que operam com água gelada, aumentam ou reduzem a rotação de acordo com a necessidade do ambiente, explica Cinelli. As torres de resfriamento, por sua vez, que atualmente usam a água para a condensação, passam a funcionar a ar. Até agora, a água gelada retira o calor do ambiente de processamento, e esse calor é transferido para a torre de resfriamento, onde a água se perde por evaporação. O novo sistema não terá torre, mas um mecanismo de condensação, sem nenhuma perda de água.

 

No Rio de Janeiro, além da construção do novo data center, começa a se preparar, ainda, uma reforma predial, ainda a ser licitada. As obras, entre outras alterações, vão agregar um andar inteiro adicional, para abrigar técnicos da área de desenvolvimento. “Teremos mais poder de ação, com mais segurança e atuando de forma mais silenciosa”, comemora Bandeira. Durante as obras do prédio, alguns empregados deverão ser deslocados do edifício José Neves, no bairro das Laranjeiras, no Rio, para as instalações da Dataprev em Botafogo, também na zona sul da cidade.