A eficiência energética e a disponibilidade foram debatidos durante o primeiro dia do DatacenterDynamics Converged, que aconteceu nesta segunda-feira (01.10), no Hotel Transamérica, em São Paulo. Tema foi apresentado por representante da Green Grid e também debatido no painel que encerrou a programação. Evento continua nesta terça.
Na primeira apresentação do dia, Roger Tipley, vice-presidente da Green Grid Association, falou sobre a necessidade de se ter métricas para alcançar resultados melhores na operação do data center. "Se não se pode medir, não se pode melhorar. A Green Grid criou métricas para ver o quão bem um data center está indo, sob o ponto de vista econômico, mas ecológico também. É preciso maximizar a eficiência e minimizar o consumo de recursos", afirmou.
Para Tipley, uma mudança para a nuvem não resolve a questão da sustentabilidade. "Não é porque está colocando na cloud que pode dizer que não é responsável, o CO2 continua circulando na atmosfera", disse. Entre os itens que devem ser levados em conta, além da eficiência energética, o executivo ressaltou a necessidade de "olhar de ponta a ponta os efeitos que estão sendo causados, escalando o consumo com a demanda".
"Não tem porque comprar servidores que você vai precisar daqui 20 anos. Também é preciso observar o pico de demanda, reduzir o consumo em horários mais tranquilos, como à meia noite, são uma série de coisas que se pode diminuir para economizar", completa. Tipley ainda apresentou estudos de caso do eBay, que usa água quente para resfriar o data center no Arizona. "Existem áreas que não são críticas em que se pode ter uma melhor eficiência energética".
Já José Edson Sousa, assessor da Diretoria de Operações do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), apresentou os planos de expansão da estatal para os próximos anos, incluindo investimentos, apenas em segurança, da ordem de R$ 20,5 milhões, em 2012, e R$ 109 milhões, em 2013. "Os investimentos em segurança são essenciais, já que trabalhamos com informações que são de interesse de hackers, como os cadastros de CPFs, dos maiores contribuintes. Recentemente, diversos órgãos foram atacados, mas o Serpro não teve nenhum prejuízo", justificou.
O Serpro faz reformas em seus três principais centros de dados, em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, onde constrói, até 2014, outro data center orçado em R$ 180 milhões. Para 2013, segundo Sousa, a previsão é de que a estatal invista quase R$ 507 milhões, incluindo R$ 125 milhões em CPDs, R$ 209 milhões em logística e R$ 107 milhões em infraestrutura de rede. "Precisamos de um investimento alto em CPDs para que tenham capacidade para atender efetivamente o governo, e, consequentemente, a população com qualidade de serviço".
Victor Medina, da gerente de Engenharia e Produtos da Emerson Network Power, apresentou detalhes sobre novas estratégias para redução de custos operacionais e otimização de capacidade no data center. Marcos Fortes Cataldo, da Leistung, por sua vez, sobre sistemas UPS modulares na apresentação "Versatilidade x eficiência x disponibilidade: seu sistema UPS realmente está lhe oferecendo isso?".
Encerrando o dia, um painel debatel as relações entre disponibilidade, eficiência energética e custo. Para Pedro Ricardo Gloeden Fogolin, superintendente de missão crítica do banco Santander, é preciso dar preferência a dois dos temas durante o planejamento. "Escolha dois, porque ter os três é muito difícil. Se quiser disponibilidade e eficiência energética, vai ter problemas com o custo", afirma. O banco constroi um novo data center em Campinas.
Já para José Starosta, diretor da Ação Engenharia, é preciso explorar a flexibilidade na hora de projetar o data center, em busca de maior eficiência energética e disponibilidade, sem forçar tanto no custo. "Podemos ter um data center impuro, projetado de uma forma mais inteligente", disse. Starosta citou a possibilidade de se segregar cargas menos críticas, mas lembrou que é o negócio que vai definir se isso é possível. "Temos que brincar um pouco com as possibilidades".