Dois data centers da Microsoft instalados em Hortolândia e Sumaré, no interior de São Paulo, utilizam sistemas de refrigeração por torres de evaporação, tecnologia considerada menos eficiente no uso de água. A informação consta em documentos apresentados pela empresa aos moradores das duas cidades e foi revelada em reportagem da Folha de S.Paulo.
O método empregado dissipa calor por evaporação, o que implica perda contínua de água. Soluções mais recentes priorizam a recirculação hídrica, reduzindo o consumo, embora exijam mais energia e apresentem custos operacionais maiores.
A apuração do jornal também identificou, com base em informações do escritório responsável pelo projeto, que cada instalação tem capacidade de cerca de 60 MW. Somados, os dois complexos alcançam porte semelhante ao de um data center da Microsoft em Leesburg, na Virgínia, que opera com tecnologia de refrigeração semelhante e um número de torres de evaporação próximo.
A prefeitura de Leesburg, nos Estados Unidos, estima que o data center da Microsoft instalado na cidade consuma cerca de 3,24 milhões de litros de água por dia (volume equivalente ao consumo diário de aproximadamente 15 mil pessoas).
A Folha de S.Paulo também identificou, por meio de imagens de satélite, a localização dos data centers da empresa em Hortolândia e Sumaré. Procurada, a Microsoft afirmou que não tinha informações adicionais a fornecer.
A Sabesp, responsável pelo abastecimento nas duas cidades paulistas, informou que analisou os projetos e não identificou risco ao abastecimento local. As instalações receberam licenças ambientais das prefeituras.
Nos materiais distribuídos à comunidade, a Microsoft afirma que pretende acionar as torres de evaporação apenas por cerca de 10% do tempo de operação, quando as temperaturas ultrapassarem 29,4 °C. Um levantamento do Cepagri, da Unicamp, solicitado pelo jornal, mostra que a temperatura máxima diária superou esse limite em quase metade dos dias registrados nos últimos 30 anos.
A proposta do governo federal para conceder benefícios fiscais a data centers, o ReData, que ainda está em discussão no Senado, exclui empreendimentos que utilizam sistemas de refrigeração por evaporação, como os da Microsoft no interior paulista, sob a justificativa de proteção ambiental.
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