O Brasil pode se tornar um novo destino para as empresas de mineração de criptomoedas.

Um relatório da Reuters detalha como várias empresas envolvidas na mineração de Bitcoin e criptomoeda estão de olho no Brasil como sua próxima base de operações, graças ao excesso de energia barata e limpa que podem encontrar no país.

Bitcoin
– Pixabay / xresch

Há supostamente seis negociações em andamento entre várias empresas de mineração e fornecedores de eletricidade no Brasil, incluindo uma que poderia resultar na construção de um local de mineração de 400 MW.

Certas áreas no Brasil são vistas como alvos maduros para as empresas de criptomineração, que procuram tirar partido do fato do crescimento das instalações de energia solar e eólica do Brasil ter ultrapassado as atualizações da infraestrutura de rede do país.

O problema de excesso de oferta pode ter custado às empresas de energia brasileiras cerca de 1 bilhão de dólares (5,3 bilhões de reais) nos últimos dois anos.

A empresa brasileira de energia Renova Energia diz que está fazendo sua primeira incursão na mineração de Bitcoin com um investimento de 200 milhões de dólares (1 bilhão de reais) em uma fazenda de mineração de 100 MW na Bahia. O campus será composto por seis data centers, todos eles alimentados por um parque eólico próximo.

"Nosso objetivo é expandir a empresa e entrar em novos mercados", disse o CEO da Renova, Sergio Brasil. "Percebemos que, ao fornecer toda a infraestrutura (para mineração de criptografia), estávamos um passo à frente de nossos concorrentes", acrescentou.

O fornecedor de stablecoin Tether (USDT) também está planejando um local de mineração de Bitcoin na área e pretende usar sua recente aquisição da empresa agrícola Adecoagro para aproveitar a energia renovável que sobrou de suas usinas de cana-de-açúcar.

Como a infraestrutura de transmissão não foi construída tão rapidamente quanto os desenvolvimentos eólicos e solares, algumas usinas de energia atualmente desperdiçam até 70% de sua produção.

Os locais de exploração mineira podem aumentar ou diminuir as operações em função da quantidade de energia disponível no momento, proporcionando uma base de consumo flexível para a energia excedente - sem sobrecarregar a rede elétrica durante os períodos de pico.

Embora as empresas não tenham divulgado mais detalhes, companhias como a Bitmain, a Enegix e o Grupo Pengui, sediado no Paraguai, também negociam potenciais contratos no Brasil.

*Texto traduzido e editado ao português por Bruno Faria