Segundo dados divulgados pela Brasscom - Associação Brasileira de Empresas do setor de TIC, o setor de tecnologia da informação e comunicação (TIC) deve injetar R$ 845 bilhões em investimentos no Brasil, nos próximos três anos. Uma previsão da International Data Corporation (IDC) aponta que o mercado brasileiro de TIC deve crescer 7% este ano.

Na contramão de diversos setores da economia durante a pandemia, o segmento cresceu 5,1% em 2020, comparado ao ano anterior. A maior representatividade deste crescimento está nos softwares, serviços e nuvem. Um dos fatores para esta expansão foi a necessidade das empresas de adaptarem os ambientes de TI e melhorarem a infraestrutura e segurança devido ao trabalho remoto.

André Kepler, diretor executivo da WorkDB, hoje com 65 funcionários, conta que a empresa triplicou de tamanho no último ano, focando em serviços como fábrica de software e infraestrutura, e planeja dobrar o faturamento nos próximos 12 meses.

A WorkDB tem sede em Santa Catarina e atua na América Latina e Caribe. Recentemente, a empresa abriu escritório físico na Cidade do México, onde tem uma operação em funcionamento. Kepler conta que também estuda o formato comercial para entrar no mercado europeu, com foco na Alemanha. A intenção é aproveitar a proximidade com a língua alemã da cidade sede, no Sul do Brasil, para formar profissionais aptos a atuarem nos dois países.

“A oportunidade que vislumbramos é entregar tecnologia de ponta em produtos globais. Podemos oferecer programadores com conhecimento nas principais linguagens utilizadas hoje, especialistas de dados, engenheiros de segurança, especialistas Cloud e arquitetos de solução. Temos convicção de que é possível levar essa expertise para fora do Brasil, atuando em um mercado global e trazendo também novos negócios da América do Norte, Ásia, Oceania e África”, aponta.

Norte e Nordeste como destinos de TIC

A confiança do empresário, além dos sinais positivos do mercado, está relacionada à dimensão e ao potencial que ele vislumbra no Brasil. "Todas as BigTechs do mundo estão no Brasil por acreditarem que vale a pena trazer soluções de tecnologia e por verem que nosso país tem uma das melhores taxas de crescimentos industrial do mundo”, afirma Kepler. Ele cita as regiões Norte e Nordeste como o destino provável da maioria das empresas de TI, nos próximos três anos. Além disso, acredita que o Agronegócio, junto ao desenvolvimento logístico, fará surgir muitas demandas de serviços especializados, incluindo a TI.

"Por termos uma geografia de grande escala, muitas vezes os custos de estarmos nas regiões fora do Sul do Brasil inviabiliza projetos - incluindo aí deslocamento e questões culturais. Precisamos mostrar que podemos estar com os clientes a qualquer hora, em qualquer dia e em qualquer lugar. Nosso país é um dos principais produtores mundiais de carne e grão. Somando-se a isso, surgem oportunidades de negócios que envolvem a TI, seja para melhorar a vida dos funcionários, como de produtos e processos, e fazendo com que as empresas lucrem cada vez mais através do uso da tecnologia”, observa.

Tendência de Outsourcing

Outra aposta do mercado de TIC é a alocação de recursos ou Outsourcing. Uma das vantagens de alocar um profissional especializado de TI é que ele fica focado em serviços específicos para uma capacidade de resolução. Com isso, não é preciso contratar internamente um funcionário ou liberar tempo da equipe interna. Kepler explica que essa forma de contratação é indicada para empresas que desejam reduzir custos e burocracias com funcionários. "A alocação nada mais é do que uma terceirização de contratação. Atualmente, a maioria das empresas precisam de um suporte de TI, e através da alocação de um funcionário isso é possível de forma econômica, vantajosa e com profissionais altamente qualificados com atendimento 24 horas”, comenta.