O CPqD está iniciando dois projetos importantes na área de microeletrônica: o design de circuitos integrados avançados para as placas utilizadas na fabricação de equipamentos para sistemas de comunicação óptica. Estratégicos para a indústria brasileira, já que o Brasil depende de componentes importados, com poucos fornecedores no mundo, esses projetos representam um passo fundamental para a autonomia e a competitividade do país na área de sistemas ópticos.
“São projetos de alta complexidade que envolvem tecnologias avançadas, nas quais hoje não existe capacitação no Brasil”, afirma o Gerente de Sistemas Ópticos do CPqD, Julio Oliveira. De acordo com ele, com o projeto desses chips, o Brasil está dando um passo adiante, no desenvolvimento das placas de circuito impresso para equipamentos ópticos, o que pode aumentar a competitividade da indústria brasileira.
Um dos circuitos integrados em desenvolvimento no CPqD utiliza tecnologia de 16 nanômetros, ou seja, um milésimo de milímetro e tem cerca de 100 milhões de portas lógicas (gates). “É uma tecnologia avançada e um projeto bastante complexo, porque envolve um grande número de portas lógicas que são construídas com um transistor pequeno”, explica o pesquisador do, CPqD, Eudes Prado, que afirma que poucas empresas no mundo detém essa tecnologia.
O projeto conta com o apoio do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações - Funtell, do Ministério das Comunicações e tem duração prevista de três anos. O resultado será um Processador de Sinais Digitais – DSP, para módulos transceptores ópticos, que realizam a transmissão por fibra óptica com tecnologia de modulação coerente.
O CPqD também está desenvolvendo um processador Optical Transport Network, utilizando tecnologia de 40 nanômetros e com aproximadamente 40 milhões de portas lógicas. A intenção é fazer a manipulação e a combinação de sinais com diferentes taxas de transmissão e protocolos distintos, transmitindo em seguida a 100 Gbits por segundo.
Para desenvolver esses dois projetos, o CPqD está montando uma equipe com 40 profissionais, experientes na indústria de microeletrônica. Os circuitos integrados projetados no CPqD serão produzidos pela Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, uma das principais fabricantes independentes (foundry) de chips dedicados do mundo.