Apesar dos avanços na tecnologia e no gerenciamento de recursos energéticos, os Data Centers ainda enfrentam uma alta frequência de problemas relacionados à energia. A inovação constante, a otimização das infraestruturas e a integração de fontes de energia renováveis são fundamentais para ultrapassar estes obstáculos e melhorar a estabilidade energética nessas infraestruturas.
Vários especialistas analisaram recentemente os principais desafios energéticos nos Data Centers e por que os mesmos níveis de incidência continuam sendo mantidos no evento DCD>Connect Cancun 2024. Especificamente, no DCD>Panel - Continuidade operacional em Data Centers: Mito ou realidade energética alcançável? Todas as perguntas foram respondidas.
Principais problemas e desafios comuns a toda a indústria
Devido à grande relevância dessa indústria como pilar da transformação digital no mundo, é de extrema importância garantir a continuidade operacional nos Data Centers. Entre os desafios mais relevantes dentro da infraestrutura, Manuel Torres, Gerente de Produto da Huawei, aponta os problemas de falhas de fornecimento e energia, refrigeração eficiente, gestão inteligente, redundância e escalabilidade de forma a garantir o crescimento vertiginoso da indústria.
Por sua vez, Juan Carlos Vergara, Diretor de Missão Crítica da Desarrolladora de Zonas Francas, acredita que o maior desafio é ter pessoal treinado com procedimentos de reação fáceis de entender para reagir em caso de falha e emergência. “Os maiores problemas estão associados ao envolvimento dos fornecedores de manutenção, para que eles também tenham planos de reação em caso de emergência”, acrescenta Vergara. “Tanto no pessoal da operação do Data Center, quanto no pessoal dos fornecedores, deve-se evitar o risco de ter apenas pessoas com conhecimento de como proceder. No contexto de um desastre, a própria natureza da emergência pode implicar que algumas pessoas não possam se mobilizar, não estejam disponíveis ou estejam limitadas nas instalações de comunicação”, conclui o especialista.
Com isso em mente, o próximo passo é perguntar se as tecnologias disponíveis estão sendo adotadas adequadamente para garantir a continuidade operacional nos Data Centers ou se são necessários mais desenvolvimento e inovação. A tecnologia é a melhor aliada e, neste caso, não é exceção. A adoção de novas tecnologias avançou significativamente, mas devido às mudanças nas necessidades da indústria, novas soluções estão sendo desenvolvidas para atendê-las. Embora a adoção de novas tecnologias seja sempre um desafio, Manuel Torres da Huawei salienta que é por isso mesmo que “os fornecedores de tecnologia devem criar soluções que sejam fáceis de adotar e implementar mesmo compatíveis com a infraestrutura existente, alguns exemplos de tecnologias com margem para melhorias são a Inteligência Artificial e a Automação para equipamentos e operação, integração de energia renovável, tecnologias avançadas de resfriamento para novas tecnologias e projetos modulares que ajudam a maximizar a utilização do espaço e reduzir os custos de escalabilidade”.
Como proceder na prática?
O gerenciamento de energia em Data Centers é crucial para garantir a continuidade operacional e minimizar incidentes de energia. O especialista da Huawei explica que além de ter um planejamento adequado e projetos redundantes em UPS, baterias de lítio, distribuição elétrica e geradores, as tecnologias de informação agora com inteligência artificial desempenham um papel crucial, pois os sistemas de gestão de energia permitem monitorizar, controlar e otimizar o uso de energia em tempo real, fornecendo dados e análises para a tomada de decisões.
A integração de fontes de energia renováveis e sustentáveis em um mix de alternativas às fontes convencionais é outra das medidas sugeridas por Juan Carlos Vergara, pois se houver algum impacto devido às condições climáticas, a outra fonte poderá estar disponível. “Nos Data Centers que estão localizados em centros urbanos, é difícil ter espaço para fontes eólicas e solares próprias, nesse sentido depende da interligação nacional e, alternativamente, da implementação de geradores que estejam disponíveis internamente. A meu ver, o caminho a seguir é continuar inovando e diversificando com fontes de energia para ter redundâncias e contingências”, acrescenta.
Por sua vez, Luis Arizpe acrescenta que outra das estratégias mais comuns é o uso de sistemas de gestão como BMS e DCIM para monitorar em tempo real o consumo de energia e a eficiência operacional de toda a infraestrutura do sistema elétrico.
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