Com a pandemia, o trabalho home office e a educação à distância se tornaram uma realidade em boa parte do mundo. Mas as particularidades de cada região, para responder às exigências de conectividade, são diferentes quanto à latência, dinâmica empresarial, investimentos, capacidades e tecnologias aplicadas para melhorar as redes. É por isso que as conexões submarinas têm um papel crucial para responder à alta demanda.

O crescimento dos serviços digitais, do consumo dos jogos e de conteúdos de vídeo também fazem com que os operadores de telecomunicações diversifiquem as suas rotas submarinas para entregar qualidade aos seus clientes finais. O panorama muda constantemente com a chegada de novos investimentos e a entrada de novos atores. As empresas de telecomunicações continuam fazendo parte do cenário atual, mas as tendências focam nos projetos de cabo liderados por gigantes tecnológicos Over-The-Top (OTT).

Todos esses temas foram objeto de análise no evento virtual DCD>Subsea&Interconnect, com o painel Redefinição das conexões marinhas: ¿Quais novas rotas estão sendo construídas e quem são os novos players que entram ao mercado?

Em um mundo cada vez mais conectado…

De acordo com Rafael Lozano, Country Manager Brasil da EllaLink, pensando na demanda do mercado a nível mundial, novas rotas submarinas estão surgindo para criar ligações entre áreas densamente povoadas.

“A tendência é procurar uma diversidade de caminhos para reduzir a latência entre o usuário e o conteúdo. No caso da Ellalink, temos o cabo que liga diretamente a Europa à América Latina, o projeto Humboldt que visa ligar o Chile à Austrália ou o Blue Raman, que planeja ligar a Europa à Índia”, destacou Lozano.

Os responsáveis pelas inovações na indústria

Os OTT são vistos como motores da inovação no setor. Os hiper escalas representam o maior crescimento. Lozano explica que os “players” de sempre, por um lado, são os construtores de cabos submarinos como a Alcatel Subsea Networks, Subcom ou Nokia, como atores principais que exploram as novas tendências na infraestrutura submergida.

Lozano destaca: “Por outro lado, encontramos os fabricantes dos equipamentos ópticos como Infinera ou Ciena, constantemente procurando formas de aumentar a quantidade de informação que pode ser adicionada em uma única portadora óptica, e acrescentar funcionalidades que sejam mais compatíveis e interativas nas redes submarinas e terrestres”.

O diretor afirma que, em referência à EllaLink, estão sendo instalados equipamentos ópticos para estender os serviços submarinos além da costa, com o objetivo de oferecer um único salto óptico entre Fortaleza e Madri.

Diversidade e segurança

Para César Jiménez, Subsea E&O Diretor da GlobeNet/Vtal, a diversidade aumenta a segurança. “Traz redundância diante da perda de conectividade, um fator presente em todas as decisões. Percebemos como os novos players (OTT) estão incentivando esta diversificação e crescimento”.Segundo Jimenez, o investimento é de mais de 40 cabos submarinos, que exigem segurança e crescimento escalável da capacidade.

O futuro das inovações tecnológicas

Na busca de uma conectividade melhor e mais rápida, vemos inovações que também visam reduzir o consumo de energia e aumentar a capacidade global dos cabos. Algumas das principais transformações tecnológicas que ocorrem na indústria são destacadas por José Romo, Director Regional Américas de Gestão Marinha Offshore:

  • Quantidades mais altas de fibra (até 32 pares de fibra em sistemas de cabos repetidores).
  • Tecnologia de "fibre switching", que encaminha o fluxo de dados de forma mais eficiente para evitar abrandamentos e cortes.
  • Capacidade de transmissão de 30 Tb/s em um par de fibras.
  • SDM1 (Spatial Division Multiplexing) para melhorar a capacidade e otimizar os custos.
  • Open Access Cables: tecnologia aberta permite instalar equipamentos de diferentes fornecedores.
  • Aumentar o nível de tensão no sistema de cabeado repetido com mais de 24 pares de fibra.

Embora estas sejam algumas das evoluções dos novos cabos, tanto agora como em um futuro próximo, no caso dos cabos existentes, o gestor da GlobeNet/Vtal ressalta que a maioria está sendo atualizado com novos equipamentos que permitem uma maior capacidade, embora no início não consigam alcançar os novos cabos que têm mais fibras e melhor qualidade.

“Os cabos mais antigos estão sendo substituídos por cabos mais modernos, com mais FPs por cabos (16 ou 24). Em consequência, os fornecedores devem atualizar o equipamento constantemente para alcançar maiores capacidades e novas inovações, bem como para reduzir o consumo de energia" , afirma César Jiménez da GlobeNet/Vtal.

Essas foram algumas ideias que divulgaram Rafael Lozano, country manager Brasil da EllaLink; César Jiménez, Subsea E&O Director da Globenet/Vtal; José Romo, Regional Director Americas da Offshore Marine Management; Ignacio Fernández Pelegrín, Head of EMEA Infrastructure & Local Network Operations Director da Telxius; e Tito Costa, CRO da Elea Digital, antes do evento virtual DCD>Subsea&Interconnect, onde aprofundaram todas essas questões.

Você pode assistir aos vídeos dos debates, em espanhol, clicando aqui.