A IDC Brasil acaba de divulgar suas previsões para o mercado brasileiro de TIC em 2016. O crescimento previsto é de 2,6% em comparação ao ano passado.
Depois de um 2015 economicamente difícil, é esperada uma ligeira recuperação na maioria dos países da região em 2016. Serão investidos US$ 130 bilhões em TI e US$ 213 bilhões em serviços de Telecomunicações, um crescimento de 3,3%, em dólares, frente a 2015.
“Novos modelos de negócios continuarão a ganhar espaço em 2016, suportados pelos pilares da 3ª Plataforma - cloud, mobilidade, mídias sociais e big data. Mais da metade das empresas no Brasil embarcarão em DX – Digital Transformation neste ano, estreitando a relação entre TI e linhas de negócios”, diz Pietro Delai, gerente de Consultoria e Pesquisa Enterprise da IDC Brasil. Segundo ele, soluções baseadas em modelos colaborativos ou de compartilhamento, e novas aplicações desenhadas para rodar em cloud e oferecer uma experiência consistente ao usuário final, em qualquer lugar e em qualquer dispositivo, estarão em foco.
Cloud continuará crescendo em 2016. A porta de entrada para este mundo ainda serão os serviços IaaS (Infrastructure as a Service ou “Infraestrutura como Serviço”) em nuvem pública, enquanto PaaS (plataforma como serviço) e SaaS (software como serviço) terão o foco em cargas de trabalho que serão consideradas “corriqueiras” ou de uso geral. A expectativa é de um crescimento de 20% nos serviços de cloud público ao ano, até o final da década.
Clouds privadas devem ganhar em organizações que optarem por investir internamente, buscando tecnologias que agilizem a disponibilidade do ambiente; soluções convergentes continuarão despertando mais interesse entre os gestores de infraestrutura.
Mais uma vez, a segurança aparece como fator importante e será um elemento ao mesmo tempo motivador e inibidor para a terceirização dos serviços de TI e/ou de migração para cloud.
“O avanço de tecnologias da 3ª Plataforma, como cloud, mobilidade e IoT exige uma evolução do tema de segurança nas empresas. A participação do orçamento de segurança avançará ao menos 2 pontos percentuais no orçamento de TI e representa um desafio para os gestores”, afirma. Além disso, questões de governança entram na pauta de discussões dividindo a atenção com tópicos como acesso e conectividade.
Conseguir diferenciais competitivos e resultados em curto prazo para driblar os efeitos da crise na economia devem impulsionar projetos de Big Data/Analytics, dando continuidade a uma tendência já apontada em 2015. A previsão é de que este mercado movimente US$ 811 milhões no Brasil em 2016. A proximidade entre as áreas de TI e de linhas de negócio tem levado a um melhor entendimento das necessidades das empresas, gerando bons resultados. O movimento tende a se intensificar neste ano, com uma expansão do uso e ampliação a novas áreas de negócios.
No entanto, a escassez de profissionais com capacitação para esses projetos é uma dificuldade. A questão deve começar a se resolver em 2017, quando entrarão no mercado os alunos formados pelas primeiras turmas de instituições de ensino que iniciaram cursos específicos em 2013/2014. Por outro lado, muitos fabricantes têm “embarcado” Analytics em suas soluções, trazendo benefícios imediatos e pré-formatados para simplificar a adoção e utilização.
Já as vendas de dispositivos, de acordo com Reinaldo Sakis, gerente de Consultoria e Pesquisa Consumer da IDC Brasil, ainda que em queda em comparação ao ano passado e apesar da retração no mercado consumidor, devem ficar em torno de 40 milhões de celulares, 6 milhões de PCs e 5 milhões de tablets comercializados em.
A Internet das Coisas (IoT – Internet of Things), por sua vez, deve movimentar US$ 4,1 bilhões no Brasil neste ano. No mercado corporativo, as empresas migrarão aplicações tradicionais, como telemetria e monitoramento para o paradigma de IoT. Fornecedores de equipamentos e desenvolvedores de plataformas, software e soluções industriais intensificarão o lançamento de soluções de IoT customizadas e em escala para as empresas.
No âmbito doméstico, em pesquisa recente a IDC constatou que em cerca de 10% dos lares brasileiros entrevistados havia algum dispositivo que transmite e recebe dados por meio da internet, como consoles de jogos, Smart TVs e câmeras de segurança, entre outros. A estimativa para este ano é que os dispositivos domésticos conectados à internet movimentem cerca de US$ 37 milhões no Brasil.
Já os pagamentos móveis ganharão massa crítica em 2016, superando os 30% de todas as operações financeiras durante o ano. “O crescimento da população ‘bancarizada’, a base instalada de smartphones habilitados para NFC (Near Fiel Communication) e pagamentos baseados em Digital Wallet fomentarão o mercado de pagamento móvel”, explica João Paulo Bruder, coordenador de Pesquisas de Telecom da IDC Brasil.
Quando se fala em mobilidade corporativa, a palavra de ordem em 2016 é segurança. Várias empresas têm adotado soluções móveis para aumentar a eficiência de equipes de campo, equipes de atendimento e colaboradores remotos. Mas se a maior disponibilidade de aplicações de negócios acentuou o interesse por soluções móveis, o aumento de dispositivos com acesso às funcionalidades de negócio também exigirá maior controle por parte das empresas. “Neste ano, cerca de 50% das companhias restringirão o BYOD (Bring Your Own Device ou ‘traga seu próprio dispositivo’) e mais de 70% delas terão algum tipo de controle associado à mobilidade”, comenta Luciano Ramos, coordenador de Pesquisa Software da IDC Brasil, que prevê um incremento da preferência por dispositivos providos pela própria empresa.
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