Quando a ideia é utilizar a virtualização no modelo cloud computing, a decisão deve ser tomada com cautela, especialmente em função da baixa qualidade da rede de telecomunicações no Brasil. É o que afirma Sérgio Santiago, Diretor de Operações da MR Consultoria, empresa especializada em outsourcing e consultoria de TI com mais de 14 anos de experiência e com clientes que atuam no Brasil e no exterior.
“Percebemos nesses últimos anos uma grande evolução rumo à virtualização de servidores no Brasil. Trabalhamos com a premissa de que nos próximos dois anos a maior parte das empresas vai virtualizar ao menos uma de suas atividades computacionais, mas nem sempre as mais importantes”, comenta.
Essa evolução está fazendo com que diversos aspectos dessa tecnologia estejam sendo progressivamente melhorados. Os fornecedores atuais de servidores estão investindo cada vez mais neste tipo de conceito tecnológico.
Entretanto, mesmo com os avanços que a tornaram uma tendência, quando pensamos em utilizar tecnologia de virtualização de servidores no modelo cloud computing, ainda enfrentamos alguns pontos críticos no Brasil. Segundo Santiago, os riscos da computação em nuvem na atualidade são menores do que há dois anos, mas há problemas no que diz respeito a contratos e infraestrutura.
“Ainda não está claro, contratualmente falando, o que acontece em caso de perda ou mesmo de vazamento de informações. Acho que esse ainda é um grande obstáculo ao avanço da computação em nuvem, mas acredito que em um ou dois anos esse assunto será equacionado de modo satisfatório para o cliente”, explica o diretor, que assinala que a maioria dos contratos de computação em nuvem da atualidade não especificam de uma maneira clara e objetiva as responsabilidades do prestador de serviço em relação à perda de dados, algo que não é satisfatório para as empresas que buscam esse serviço.
Outro entrave relevante à computação em nuvem é a infraestrutura brasileira de telecomunicações. “Toda vez que uma empresa transfere seus processos de TI para uma nuvem ela passa a depender de serviços de telecomunicação para acessar os sistemas. Embora existam alguns provedores de transmissão de dados, há muitos casos em que o acesso ao cliente é feito por apenas um provedor. Se este provedor enfrentar problemas técnicos, todo o investimento será comprometido”, comenta, acrescentando que essa precariedade da infraestrutura de telecomunicações no Brasil é um ponto que deve ser levado em conta pelas empresas que pretendem utilizar os seus processos de TI neste modelo.
Quando o assunto é a estrutura de telecomunicações disponível no país, o problema não é somente saber se há a disponibilidade do serviço, mas também a qualidade dessa conexão. Santiago explica que ao externar um serviço como e-mail ou um sistema de gestão empresarial, por exemplo, a velocidade e qualidade do link de acesso será decisiva para uma performance adequada do serviço.
Mesmo com essas questões em aberto, o diretor de operações da MR Consultoria acredita que a virtualização dos servidores e a computação em nuvem chegaram para ficar. “Se olharmos para a maior parte dos nossos clientes em uma perspectiva de longo prazo, os investimentos que estão sendo feitos apontam para a aceitação e utilização destas tecnologias”, explica. Ele ainda conta que nos últimos dois anos três grandes clientes da empresa já partiram para essa tendência com o apoio da MR Consultoria.
No cenário que vai sendo formado pelos investimentos das empresas, a virtualização mostra-se como uma das melhores formas de otimizar recursos. Segundo Santiago, “se hoje você tem nove servidores dentro de um parque de infraestrutura, você acaba migrando isso para 2 servidores, no máximo 3, mas com uma performance muito melhor, uma redundância muito melhor e uma segurança muito maior”.
Superados os obstáculos, o cloud computing é uma forma de otimizar processos. “A computação em nuvem será fundamental, uma coisa que todos irão buscar em alguma medida. Ela poderá representar um ganho de escalabilidade muito importante para a infraestrutura da área de TI, com um custo cada vez mais viável”, assinala Santiago, acrescentando que também nesse processo a empresa deve contar com um parceiro confiável, que conheça o seu negócio e faça a gestão dos fornecedores com sintonia fina.