A Cloudera informou que administra atualmente 30 exabytes de dados, volume que a empresa considera possivelmente o maior sob gestão de uma única plataforma no mundo. O número, referente ao balanço dos últimos três anos, foi divulgado pelo CEO da companhia, Charles Sansbury, durante o EVOLVE26, conferência anual da Cloudera realizada em 10 de setembro, em São Paulo. Segundo o executivo, o desafio do mercado deixou de ser apenas onde os dados são armazenados e passou a envolver a soberania.
Sansbury afirmou que a empresa foi criada para desenvolver tecnologia voltada a grandes organizações e que, nos últimos três anos, acelerou significativamente esse movimento. De acordo com ele, a Cloudera se posiciona hoje como uma opção para grandes companhias, governos e instituições públicas que geram e processam volumes massivos de dados diariamente.
O CEO acrescentou que cerca de um terço do PIB mundial é gerado por empresas que utilizam a Cloudera como plataforma de dados e que 14 das 20 maiores empresas de capital aberto do mundo dependem da companhia para suas aplicações mais críticas.
Outro ponto destacado pelo executivo foi a velocidade de migração do mercado para a nuvem e para a inteligência artificial. Segundo Sansbury, há 12 meses, cerca de um terço das empresas migrava para a nuvem, número que continua crescendo de forma acelerada. Para ele, a nuvem já faz parte da infraestrutura computacional, e a discussão agora gira em torno da soberania dos dados. O executivo explicou que, como nem sempre é possível mover os dados, a estratégia da empresa passou a ser levar a inovação em IA até onde estão, mantendo controle total sobre se e como serão utilizados.
A Cloudera também citou avaliações recentes da Forrester e da IDC para sustentar seu posicionamento nos mercados de data lakehouse, de data fabric e de plataformas unificadas de IA.
No evento, a companhia lançou a versão 7.3 da plataforma Kona e apresentou a Cloudera Anywhere Cloud, solução que, segundo a empresa, reduz o tempo de implantação de ambientes de dados e de IA de 60 dias para 60 minutos. A Cloudera também anunciou parceria estratégica com a Mistral AI para viabilizar a Private AI Factory, oferta voltada ao mercado de IA privada e soberana.
Sansbury descreveu a novidade como uma plataforma de IA pronta para uso e com instalação mais simples. Segundo ele, a nuvem transformou a forma de consumir tecnologia, mas não alterou onde os dados devem permanecer, e a IA tornou esse ponto ainda mais crítico. O executivo afirmou ainda que a empresa mantém sua origem, mas com outra escala e ambição: converter casos de uso em resultados para os clientes no menor tempo possível, sem abrir mão do controle sobre os dados.
Rubia Coimbra, vice-presidente da Cloudera para a América Latina, relacionou a estratégia global à realidade regional. Segundo a executiva, o posicionamento da empresa só faz sentido quando associado aos clientes que usam a tecnologia no dia a dia.
De acordo com Rubia, a América Latina representa 5% do faturamento global da Cloudera, e o Brasil responde por cerca de 50% da receita da companhia na região. Ela lembrou que, quando a nuvem surgiu como serviço, o Brasil foi o primeiro país a ultrapassar o patamar de 50% de adoção. Para a executiva, o perfil de adoção antecipada de novas tecnologias no país representa um potencial a ser explorado, inclusive em soberania de dados e em IA — tema que também tem mobilizado iniciativas nacionais, como o SoberanIA.
A empresa tem atuação relevante no setor público brasileiro. Rubia citou projetos em que a Cloudera está por trás da infraestrutura de dados, como a reforma tributária, programas de apoio a produtores e ao agronegócio, o auxílio emergencial durante a pandemia e o seguro-desemprego. Segundo a executiva, atender esse setor também significa apoiar a sociedade, e a companhia considera a atuação nessa área um compromisso estratégico no país.
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