Segundo a BT, quando se fala em nuvem, o mercado brasileiro já não pensa tanto em segurança ou em questões relativas à migração. No que toca à adoção de serviços em nuvem, a discussão agora se volta para a integração entre os sistemas utilizados pela empresa, estejam eles na nuvem – prestados por um ou mais provedores, hospedados ou na própria empresa. Marcelo Leite, diretor de Business Development das áreas de TI, Data Center e Conectividade da BT para as Américas, fala sobre a adoção da nuvem no Brasil e como a BT pode ajudar seus clientes na formatação da melhor arquitetura.
DatacenterDynamics: No Brasil, qual é o estágio atual em relação à adoção da nuvem?
Marcelo Leite: As preocupações iniciais com segurança, funcionalidades e disponibilidade já estão praticamente superadas. Estamos no momento em que as empresas buscam identificar a melhor forma de utilizar essa tecnologia. Quando as organizações começaram a migrar para a nuvem, moviam sistemas inteiros, tipicamente sistemas não críticos para sua operação. Agora estão começando a migrar partes de sistema de missão crítica para a nuvem, a grande questão é a integração com os sistemas internos.
Sendo assim, como colocar na nuvem serviços que estão parte no data center da empresa, parte em data centers de terceiros, mantendo operacionais todas as informações e sistemas, com acesso via web e rede privada? A questão é fazer com que, nesse ambiente, a TI mantenha as funcionalidades, as atualizações, a governança. Manter a integração e funcionalidade em sistemas híbridos é o grande desafio.
Nesse ponto podemos oferecer a expertise no que estamos denominando “Cloud of Clouds”, em que conseguimos a integração de data centers e a entrega de um serviço fim a fim proporcionando toda a governança e confiabilidade na operação dos sistemas.
DCD: Quais aplicações devem ir para a nuvem? As empresas já identificam o que pode ser mais produtivo na nuvem e o que deve ser mantido nos seus data centers?
M.L.: Esse é um aspecto muito particular de cada empresa. O que vai para a nuvem depende muito mais de como obter mais benefício das plataformas que você tem disponíveis, garantindo a completa integração dos sistemas envolvidos. A pergunta chave é se a performance e a funcionalidade para o seu usuário serão melhores na nuvem. Mesmo que você tenha dados importantes, que não podem ser abertos, é possível criar ambientes de nuvem que tenham acesso restrito, usando a nuvem privada, com recursos que garantem que o cliente não terá seus dados expostos e ofereçam a melhor performance para o seu usuário final.
Essa é uma escolha de cada empresa, dependendo do que for mais eficiente para sua operação e para seu usuário. A BT busca ajudar empresas a montar essa equação, esse quebra-cabeça, através de seus recursos: nuvem pública, privada, sistemas de segurança eficientes.
DCD: No caso de uma empresa usar os serviços de diversos provedores de nuvem, a BT pode ajudar a integrar todos esses sistemas?
M.L.: Sim, com certeza. Na verdade, antes mesmo de falarmos em nuvem, esse serviço já existia. As empresas aéreas, por exemplo, usam há muito tempo sistemas como o Amadeus e o Sabre, que operam em data centers de terceiros. E hoje empresas de software, como a Microsoft e muitas outras, no lugar de licenças, oferecem seus softwares como serviço. A Salesforce, aplicativo de gestão e força de vendas, opera em seu próprio data center, assim como a Oracle e a SAP, que também vendem seus produtos como serviço.
A BT já tem conectividade e presença nesses grandes data centers de parceiros, e os clientes que queiram fazer uso dos serviços dessas empresas não precisam contratar uma conectividade específica para isso. Basta estarem na nuvem da BT que automaticamente terão acesso a esses serviços através de uma rede segura privada. Também integramos data centers de terceiros, como da HP, da Equinix – que, no Brasil, será em breve conectado à nossa rede – geralmente contratados para aplicações mais genéricas e serviços de disaster recovery.
O cliente pode usar suas aplicações em diversos data centers e a BT faz o gerenciamento. A última versão do nosso BT Cloud Compute, o CMS 4.0, permite que o cliente tenha a gestão efetiva de todas essas plataformas, estejam onde estiverem. Oferecemos a gestão e visão da performance de utilização dessa infraestrutura através da nossa plataforma de cloud computing, mesmo não estando no nosso data center, em um único dashboard integrado. Assim, o cliente tem a visão correta de como está utilizando seus recursos.
DCD: Para o cliente, quais são as vantagens de contar com esse gerenciamento?
M.L.: Redução de custos associado a controle e eficiência, porque ele vai comprar e utilizar recursos na medida que precisa. No passado, era necessário dimensionar a infraestrutura pelo pico de utilização. Mas essa capacidade máxima era usada só eventualmente, dependendo do tipo de operação e de sazonalidade. Muitas vezes a maior capacidade de processamento é necessária apenas durante um dia. Com uma estrutura de nuvem distribuída ou usando serviços na nuvem, você começa a pagar efetivamente pelo que usa. Com a nuvem, você compartilha a estrutura com diversos clientes com demandas sazonais diferentes e isso proporciona um uso de recursos muito mais eficiente do que no passado.
O gerenciamento permite que as empresas controlem em tempo real sua necessidade.
Como exemplo, cito a promoção Black Friday. Para atender o crescimento da demanda na data, as empresas fazem uma previsão do aumento necessário de processamento e de banda de internet. Com o sistema de gerenciamento da BT, elas podem monitorar todos os recursos em tempo real e, caso percebam que está batendo no pico, rapidamente entram no sistema de orquestração do data center que está sendo usado e aumentam o recurso. Logo após a meia noite, o pico de acesso é absurdo, todos os clientes querem aproveitar as primeiras ofertas. A empresa precisa ter esse monitoramento bem apurado, essa visão em tempo real para tomar rapidamente decisões caso aconteça algo fora do previsto. Assim não perdem vendas e evitam impactos negativos à sua marca.
DCD: E qual é o papel dos parceiros da BT?
M.L.: Os parceiros entram na gestão e implementação das aplicações de mais alto nível. A BT tem uma solidez muito grande até um determinado nível de aplicações. Trabalhamos no nível de infraestrutura, sistemas operativos e banco de dados. Na hora em que começamos a entrar na particularização de uma aplicação, passamos a contar com apoio de empresas especializadas, como, por exemplo, a Go2Next e a CSC, que nos ajudam a montar a arquitetura.
DCD: Como a BT está se preparando para ajudar seus clientes a superar os novos desafios?
M.L.: Nossos grandes investimentos vão em direção à capacidade de gerenciamento de infraestruturas, para conseguir ter uma visão completa, e também em pessoal capaz de trabalhar para identificar o melhor sistema de nuvem para cada cliente. Esse investimento em pessoal é fundamental para poder, juntamente com o cliente, fazer o desenho de uma arquitetura distribuída por diversas nuvens. Já investimos em infraestrutura, que está sendo implementada, e investimos em pessoal para fazer com que toda essa inteligência seja eficaz para nossos clientes.
Buscamos os melhores recursos no mercado e compartilhamos as melhores práticas, replicando o conhecimento interno. Temos centros de excelência em TI e data center distribuídos pelo mundo, e temos trocas constantes com a BT Itália, considerada referência para disseminação desse conhecimento. Também buscamos conhecimento externo via treinamentos, capacitações e especializações.
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