A recente intensificação de ataques cibernéticos contra empresas está colocando a Cibersegurança em foco.  De acordo com uma pesquisa realizada pela CompTIA, o Brasil é um dos mais vulneráveis, quando comparado com outros onze países avaliados na região. Neste mesmo cenário, a transformação digital avança a passos largos no país. Virtualização, Computação em Nuvem, Indústria 4.0, M2M, Big Data e e-commerce estão impondo transformações definitivas no ecossistema de data center no Brasil. Hoje, mais do que nunca, é consensual que a implantação de planos de Cibersegurança nas empresas devem evoluir no mesmo ritmo da transformação digital.

Em entrevista exclusiva, Bruno Zani, gerente de engenharia de sistemas da McAfee, fala das barreiras impostas à Cibersegurança no Brasil.   

DatacenterDynamics: Quais são os desafios atuais em proteção e retenção de dados em data center?  

Bruno Zani: Podemos destacar como principais desafios atualmente a visibilidade, os ataques avançados e o rápido avanço da tecnologia.   A virtualização das máquinas e a elasticidade que esses serviços promovem dificultam a visibilidade de todo o tráfego de dados e de todos os ativos em funcionamento, criando possíveis brechas na segurança. Os ataques avançados e direcionados também são um grande desafio, pois podem causar indisponibilidade, perda de integridade e resultar em roubo de dados confidenciais e propriedade intelectual das empresas.   Outra dificuldade é que com a constante evolução das ameaças e das tecnologias fica difícil se manter sempre atualizado. O cibercrime avança rapidamente e as soluções de segurança têm que estar atualizadas para barrar os novos ataques. Essa velocidade com que o cibercrime avança é muito maior do que a disponibilidade das empresas em investir em novas tecnologias.   

DCD: Como a McAfee avalia a questão da segurança em data center hoje? As novas soluções abrangem todas as necessidades dos clientes?  

B.Z.: Tentamos abranger todas as necessidades dos clientes, mas obter 100% de segurança é praticamente impossível. A classificação dos dados em data center é um ponto crucial para a segurança atualmente, assim como a criptografia.   Os contratos de responsabilidade compartilhada acabam criando uma zona cinza na área da segurança pois a responsabilidade dos provedores é da infraestrutura e não da segurança. Com a terceirização da hospedagem o dono do dado não deixa de ser responsável pela informação, por isso é tão importante investir em soluções adequadas para cada tipo de negócio.  

DCD: Que tipo de soluções as empresas brasileiras de data center mais buscam quando o tema é Cibersegurança?  

B.Z.: As principais ferramentas buscadas são: Programa de classificação de dados, Data Loss Prevention ( DLP) e Criptografia.

DCD: Quais são as principais dúvidas dos clientes?  

B.Z.: As dúvidas muitas vezes são sobre o processo em si, sobre a responsabilidade da custódia de dados, como atingir o usuário final, como definir como o usuário vai interagir com os dados e, em caso de incidente, como é possível rastrear o ataque.

DCD: O que as empresas priorizam: preço ou eficiência da solução?  

B.Z.: O ideal seria um conjunto dos dois. A ferramenta precisa ser eficiente e o preço precisa ser competitivo. Mas o mais importante é que as soluções de segurança sejam adequadas para cada tipo de negócio. Quando o cliente tem a estratégia de segurança bem definida e atrelada ao negócio, é possível customizar uma estrutura de segurança eficiente e com preço mais baixo. O mais importante é o cliente pensar a segurança junto com o negócio para que não acabe investindo em soluções que exigem muito esforço no gerenciamento e que nem sejam essenciais para o negócio.