Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul estabeleceram uma agenda de planos de ação para aprofundar e desenvolver a cooperação multilateral em economia digital e tecnologias da informação e comunicação (TICs). A decisão foi tomada durante o 2º Encontro de Ministros das Comunicações dos Brics, realizado em 10 e 11 de novembro, em Bangalore, no sul da Índia. O secretário de Telecomunicações, André Borges, representou o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) na reunião do grupo.
 
Os Brics definiram seis planos de ação, com distribuição de responsabilidades. Por meio das secretarias de Telecomunicações (Setel) e de Política de Informática (Sepin) do MCTIC, o Brasil assumiu compromisso de liderar duas frentes: agendas nacionais digitais, ao lado da África do Sul, e comércio entre empresas (B2B, sigla para business-to-business), com a China. O país pode, ainda, contribuir nos debates em torno dos outros quatro tópicos: pesquisa, desenvolvimento e inovação; reforço das capacidades; governo eletrônico, incluindo aplicações móveis; e engajamento e articulação internacional.
 
Planos de ação
 
Segundo o secretário, nos debates, os países apontaram agendas digitais nacionais como elementos cruciais para consolidar o crescimento econômico e social, ao alimentar e desenvolver o ecossistema doméstico de TICs. O plano de ação prevê: compartilhar informações e estudos de caso em políticas e programas; estimular a implantação e o uso da banda larga; promover intercâmbio de especialistas e workshops; incentivar a comunicação direta entre ministérios, instituições governamentais e agências; identificar desafios e boas práticas nas esferas política, de regulação e de segurança; explorar oportunidades de construir uma rede de cabos submarinos que una os Brics, capaz de suprir necessidades globais via parcerias público-privadas.
 
De forma bilateral, o secretário se reuniu com o ministro de Telecomunicações e Serviços Postais da África do Sul, Siyabonga Cwele, que manifestou interesse em agregar esforços para construir uma rede de fibra ótica para interligar os cinco países. "Eles desejam desenvolver cabos submarinos, especialmente porque estariam bem no meio do caminho entre o Brasil e os três países do eixo asiático. É uma intenção do grupo como um todo, e os sul-africanos trabalham para viabilizá-la."
 
Em B2B, os ministérios indicaram como caminho, a construção de uma rede de parcerias de negócios para superar barreiras geográficas e linguísticas, por intermédio de companhias, associações empresarias e órgãos governamentais. Dentro do plano de ação, está previsto o engajamento business-to-business nos diversos segmentos da indústria, o estímulo à mobilidade de profissionais de alta qualificação e a mobilização da cooperação entre agências estatais e academia para criar e promover novas tecnologias e aplicações. De acordo com Borges, Setel e Sepin planejam envolver empresas brasileiras no trabalho de colaboração.