A ManageEngine, divisão da Zoho Corporation, divulgou, no dia 10 de agosto, os resultados brasileiros de seu estudo "O Estado da Transformação Digital na América Latina 2026". O levantamento indica que, embora o país seja o mais avançado da região em maturidade digital, as empresas ainda enfrentam dificuldades relacionadas à fragmentação dos ambientes de TI, à infraestrutura legada e à pressão por retorno sobre os investimentos em inteligência artificial.

Segundo o estudo, 32% das organizações brasileiras já migraram para modelos centrados em plataformas e 25% se consideram orquestradas por IA — os maiores índices entre os países analisados. Mesmo assim, desafios como a segurança em ambientes complexos, os custos de infraestrutura e a gestão de dados permanecem entre os mais citados.

A pesquisa aponta que 71% dos entrevistados percebem um aumento significativo na complexidade da gestão devido à proliferação de ferramentas, enquanto 63% afirmam destinar mais recursos à manutenção de sistemas existentes do que à inovação. Em média, as empresas brasileiras utilizam 18 soluções pontuais simultaneamente, o que representa o maior nível de fragmentação da região.

Para Tonimar Dal Aba, gerente técnico da ManageEngine no Brasil, o avanço na modernização de TI não elimina a necessidade de integração. Ele afirma que simplificar ecossistemas tecnológicos é tão importante quanto expandi-los, já que visibilidade, resiliência e governança são essenciais para sustentar a adoção de IA em escala.

O estudo da ManageEngine aponta uma distância crescente entre a preparação das empresas brasileiras para iniciativas de inteligência artificial e a capacidade de gerar valor a partir delas. Embora 92% das organizações afirmem ter infraestrutura pronta para projetos de IA, 62% relatam dificuldades em obter retornos mensuráveis. Entre as principais barreiras estão a segurança e a conformidade, a falta de profissionais qualificados e os ambientes tecnológicos fragmentados. Para 89% dos entrevistados, essa fragmentação limita a expansão das iniciativas de IA — em 35% dos casos, com impacto significativo.

Segundo Kishore Kumaar, country manager da ManageEngine no Brasil, as decisões tecnológicas estão cada vez mais orientadas por resultados de negócio. Ele afirma que empresas têm priorizado otimização de custos, redução de despesas operacionais e consolidação de ferramentas, buscando plataformas capazes de suportar novos projetos de IA sem aumentar a complexidade.

O levantamento também mostra que 56% das organizações registraram um aumento de ataques cibernéticos bem-sucedidos em 2025. Além disso, 74% demonstram preocupação com vazamento de dados decorrente do uso de ferramentas de IA generativa não autorizadas, o que evidencia desafios de governança. Para a ManageEngine, segurança e transformação digital tornam-se indissociáveis, exigindo visibilidade e controle consistentes em ambientes cada vez mais distribuídos.

O relatório aponta uma diferença relevante entre a percepção de alinhamento estratégico e a prática nas organizações brasileiras. Embora 91% dos entrevistados na América Latina afirmem que as áreas de negócios e TI estão alinhadas, apenas 40% dos executivos no Brasil consideram que suas lideranças estão “muito alinhadas” às prioridades de transformação digital.

A responsabilidade pela estratégia também se distribui de forma desigual: 39% atribuem a condução da transformação digital ao CEO, outros 39% ao CIO e somente 22% relatam um modelo realmente compartilhado. Além disso, 32% dos entrevistados brasileiros afirmam que a simplificação e a unificação das tecnologias não são prioridades comuns entre a liderança e as equipes de TI — uma lacuna que, segundo o estudo, precisa ser superada para garantir resultados duradouros.

O relatório O Estado da Transformação Digital na América Latina 2026, encomendado pela ManageEngine e conduzido pela Censuswide, analisou como as organizações da região estão modernizando suas infraestruturas, lidando com a complexidade tecnológica, adotando IA, fortalecendo a segurança cibernética e definindo prioridades de investimento. A pesquisa entrevistou 1.000 executivos e líderes de TI de cinco países, incluindo 250 profissionais brasileiros de setores como finanças, varejo, indústria, educação e tecnologia.