A abertura de consulta pública para que os consumidores escolham seu próprio fornecedor de energia no modelo de mercado livre a partir de 2028 coloca o Brasil diante de uma oportunidade única de impulsionar os investimentos para acelerar a transição energética do país. Com isso, o país estará alinhado com as principais tendências destacadas no relatório global Energy Trends, elaborado pela NTT DATA, que faz uma análise sobre os investimentos de capital de risco em startups de tecnologia e novos modelos de negócios para antecipar potenciais mudanças no setor.

Globalmente, o setor evolui com base em pilares como a sustentabilidade, experiência do cliente e novos modelos de negócios. O estudo enfatiza que uma grande parte do sucesso das empresas do setor no futuro terá como base modelos colaborativos e a construção de ecossistemas.

A abertura do mercado é fundamental para que as empresas deste setor gerem acordos com outros agentes do mercado e promovam alianças focadas em pesquisa e desenvolvimento com a ajuda de startups de tecnologia, atividades que eram historicamente realizadas com empresas de características similares. O relatório ressalta, que entre 2018 e 2020, as 33 maiores empresas do setor foram responsáveis por investimentos de risco em torno de US$ 6,5 bilhões em 317 eventos de investimento realizados por 32 fundos de capital de risco corporativos em 258 startups do setor. Do total investido, somente 2% foram destinados à América Latina.

“O dinâmico ecossistema empresarial brasileiro pode desempenhar um papel fundamental na modernização da indústria do país. Estamos testemunhando inúmeros projetos que vão desde sistemas de trading de energia até a utilização do Metaverso para conscientizar as pessoas sobre como realizar um consumo mais responsável, incluindo uma ampla gama de novas tecnologias, como hidrogênio, energias renováveis ou aplicações para melhorar a experiência do cliente, descobrir e prever o comportamento do consumidor, criar estimativas preditivas dos valores de consumo para melhorar a eficiência e encontrar novos métodos de monetização", afirma Raphael Saueia Bueno, sócio de Energy & Power Americas da NTT DATA.

O Brasil poderá se posicionar como o principal responsável pela transição digital em toda a América Latina”, diz Bueno. “Seu setor elétrico está muito maduro em relação à região e esta oportunidade de acelerar a inovação permitirá liderar o caminho para que os demais países desenvolvam suas estratégias.”