Especialista em Blockchain para B2B e B2C, fundador da Smartchains e Interchains na América Latina, Bernardo Madeira compartilha sua visão com a DCD. Em entrevista, o especialista cita as principais tendências tecnológicas para 2019 em finanças. Confira.
DatacenterDynamics: Para começar, conte um pouco da empresa: quando foi fundada e qual é o diferencial dela de mercado?
Bernardo Madeira.: A Interchains foi fundada por mim, Bernardo de Souza Madeira, em março de 2017, ex-IBMista com experiencia de mais de 20 anos em tecnologias de gestão de informação e arquiteto de América Latina de Blockchain.
Somos uma empresa de consultoria especializada no desenvolvimento de projetos de Blockchain em redes permissionadas (privadas) sobre uma alta gama de plataformas como Ethereum/ Hyperledger/ Corda/ Quorum/ IOTA, etc. Somos especialistas na geração de demanda e implementação de projetos de Blockchain para B2B.
Nosso negócio é desenvolvimento de SmartContracts sobre Blockchains privados, conectando pessoas, processos e sistemas para transacionarem de uma maneira privada, segura, escalável e confiável. Sistemas legados na cadeia e fora da cadeia de desenvolvimento. Criação de MVP, Design Thinking. Projeto e implementação de projetos.
Nossa missão é a de alavancar novos modelos de negócios por meio da tecnologia Blockchain nos ambientes Business-to-Consumer e Business-to-Business, criando novas arquiteturas e implementando business cases em mercados multi-setor. Engajamos desde o estágio inicial de adoção de Blockchain, Análise e Design, arquitetura e implementações de contratos inteligentes.
Nossa visão é transformar a Interchains na maior empresa de Consultoria Blockchain na América Latina.
DCD: Como você avalia o ambiente para Blockchain no Brasil?
B. M.: O mercado brasileiro está muito receptivo e interessado nos benefícios que Blockchain e os modelos de implementação sobre esta plataforma vem a trazer. As indústrias mais ativas hoje são a Financeira, Agronegócio e Energia, mas estamos trabalhando em casos de uso em Telefonia.
Existem vários modelos de implementação que estamos implementando nesta área, dentre eles estão:
- Blockchain para IoT para controle de operação e gestão de SW e Firmware;
- Tokenização para intercâmbio de maneira segura e privada qualquer ativo ou compromisso entre participantes.
- BPM para aumentar a confiança entre atores e participantes em cada interação de processos;
- Blockchain Supply que apresenta um ganho em eficiência e velocidade de acompanhamento de transações graças a distribuição completa da informação;
- Blockchain Identidade que permite emitir uma “prova de existência” para todo tipo de dados ou arquivos;
DCD: Gostaria que detalhasse o cenário financeiro para uso de Blockchain.
B. M.: A indústria financeira foi a primeira a adotar Blockchain para entender o potencial e realizar testes da tecnologia. Existem vários casos de uso que os bancos consideram de alto potencial para resolver problemas concretos. A continuação descrevemos os problemas de negócio que os bancos apresentam, como podem ser endereçados com soluções de Blockchain e os benefícios que esta implementação traz.
DCD: Quais têm sido as soluções mais populares em Blockchain para bancos e por quê?
B. M.: A maioria dos bancos está experimentando nas tecnologias Ethereum, Hyperledger, Corda e Quorum. A razão é que estas tecnologias oferecem a funcionalidade de Smart Contracts. Um contrato inteligente é um programa feito para facilitar, verificar, reforçar a negociação, avaliar o desempenho e automatizar a execução de um acordo sem a necessidade da intervenção humana.
Estes contratos são escritos em código (linguagem de programação), são executados pelo sistema, mas escritos em linguagem jurídica e devem envolver duas ou mais partes e são definidas regras e consequências da mesma maneira do que um documento legal faria, declarando as obrigações, os benefícios e as penalidades que possam acontecer para cada uma das partes envolvidas.
Um grande benefício é que, um smart contract é capaz de obter informações, processá-las de acordo com as regras configuradas e, como resultado, tomar as devidas providências previstas nele, sem necessidade de intermediários.
DCD: Os bancos, juntamente com a Febraban, estão avaliando Blockchain e fazendo pilotos. Fora isso, como você vê as iniciativas "individuais"?
B. M.: Vemos com grande potencial iniciativas de Startups que estão transformando a forma de oferecer serviços e fazer negócios, já que veem Blockchain como uma tendência disruptiva e inovadora que pode transformar a prestação dos seus serviços, aumentar a confiança, a produtividade e a eficiência dos processos. Um claro exemplo são as novas economias que o modelo de Tokenização vem a trazer, amarrando um token a um serviço dentro de um consórcio.
DCD: Quais são os desafios para o Blockchain no Brasil?
B. M.: Os principais desafios é o de quebrar o conceito que Blockchain é uma criptomoeda. Quando falamos de Blockchain como uma plataforma de criptomoedas, nos limitamos a 10% do seu potencial. Em redes B2B e B2C, podemos expandir as capacidades transacionais para vários modelos de negócio: gestão de IoT, otimização e controle de processos, transparência e eficiência na auditoria graças a rastreabilidade em cadeias de suprimentos ou de transações, diminuição de fraude, visão holística e consolidada de clientes e bens.
Todos estes casos de uso são implementados no modelo B2B e como objetivo a diminuição de custos, riscos e tempo, assim, aumentando a receita, atingindo os objetivos corporativos e reduzindo a "fricção de mercado".
Blockchain irá trazer uma enorme redução de custos e as companhias irão experimentar uma grande facilidade de expandir seus negócios, seja entrando em um novo setor assim como expandindo seus ecossistemas. Mas hoje, o grande desafio é mapear possíveis entraves burocráticos que inviabilizem uma implementação e que possam frustrar a adoção deste modelo.
DCD: Como vencer estes desafios?
B. M.: O primeiro desafio venceremos graças a disseminação do conhecimento, enquanto que, para vencer o segundo grande desafio, a sugestão é começar pequeno. Pensar grande sim, mas começar com um piloto controlado mapeando disponibilidade de recursos, viabilidades técnicas, sponsorship executivo, potencial de renda/economia, visibilidade interna/externa, entraves burocráticos e capacidades de expansão.
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