É sabido que a atualização tecnológica imprime um ritmo extremamente dinâmico; na área da Saúde não é diferente. São demandas por desempenho, segurança, disponibilidade e outras questões que devem ser equacionadas para que o trabalho seja executado com excelência, independentemente do tipo de estabelecimento de saúde. 
 
Partindo do conceito que a Transformação Digital é um processo em que as instituições utilizam a tecnologia como meio de prestar um atendimento personalizado, aumentar a segurança, aprimorar a experiência dos clientes, médicos e colaboradores e melhorar o desempenho da instituição, pode-se concluir que ela já chegou. No entanto, é perceptível que o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer, com muitos processos a serem aprimorados por meio do digital. Para falar sobre esse processo, que é contínuo, a DCD conversou com a CIO da BP – Beneficência Portuguesa de São Paulo, Lilian Hoffmann, que atua há mais de 20 anos na direção de equipes de TI na área hospitalar. Leia, a seguir, a entrevista.
 
DatacenterDynamics: Quais são os impactos da Transformação digital na saúde?
 
Lilian Hoffmann: A Transformação Digital modifica os processos, exigindo uma mudança de cultura para lidar com novas atividades, velocidades diferentes, demandas por novos talentos, oportunidades de negócio, possibilidade de melhores experiências e expansão.
 
Abre a possibilidade de fazer diferente, mais e melhor. Ela permite que o cuidado esteja em qualquer lugar, que o cliente seja engajado, que a equipe assistencial tenha apoio em suas decisões, que a instituição possa analisar tendências e predizer comportamentos, que o conhecimento e as informações sejam compartilhadas e que as questões financeiras sejam efetivamente melhoradas. A Transformação Digital tem o potencial para difundir saúde.
 
DCD: Quais são as principais tendências da Transformação Digital na saúde?
 
L.H.: Se tivesse que resumir, diria que as principais tendências estão relacionadas a utilizar os dados para predizer e compartilhar, tendo como principal aliado nesta tarefa as máquinas.
A utilização da Inteligência Artificial, a robotização, a criação de algoritmos preditivos, uso de Analytics, IoT e Blockchain estão entre as grandes apostas.
  
DCD: Em que estágio está a Transformação Digital na saúde do Brasil?
 
L.H.: No Brasil, as instituições de saúde do setor privado evoluíram bastante. Cada vez mais estão investindo em tecnologias, criando soluções inovadoras, buscando certificações internacionais, aprimorando a capacidade de desempenho e segurança de informação e, principalmente, integrando sistemas que propiciam melhorias relevantes na gestão e atendimento aos clientes.
 
DCD: De todas as tecnologias (Telemedicina, Big Data, IoT, Inteligência Artificial) existe uma constante: o paciente e seus familiares ou amigos passam a ter uma participação mais ativa na aplicação dos tratamentos. Como a Beneficência Portuguesa avalia essa mudança?
 
L.H.: Clientes mais bem informados ajudam o trabalho do médico e estão mais aptos a compartilhar decisões.
Além de uma melhora natural no nível de formação dos indivíduos em geral, o acesso à informação é muito mais rápido e fácil do que há alguns anos. E quem possibilita isso é a tecnologia. Hoje, os profissionais da saúde têm que estar preparados para essa nova realidade e saem na frente aquelas instituições que trabalham com isso a seu favor, ofertando ferramentas para uma participação mais efetiva dos clientes no cuidado da própria saúde.
 
DCD: A Transformação Digital na saúde impacta na melhoria da assistência de que maneira?
 
L.H.: Trazendo mais eficiência aos processos, agilidade no trabalho dos profissionais e segurança para o cliente. Tecnologias como o prontuário eletrônico, sistema de gestão, sistemas de armazenamento e compartilhamento de imagens integram e facilitam o acesso as informações, abreviando o tempo de atendimento, garantindo a segurança necessária para o cliente.
 
DCD: Grandes drivers tecnológicos (Cloud, Mobile, APIs, Big Data, AI, IoT) estão habilitando novos negócios em hospitais, operadoras de planos de saúde, laboratórios, clínicas, e farmácias?
 
L.H.: Toda inovação abre possibilidades para novos projetos. Na BP – Beneficência Portuguesa de São Paulo, por exemplo, já estamos trabalhando com Inteligência Artificial. Recentemente adquirimos a plataforma IBM Watson para a identificação e classificação de diagnósticos associados, que são registrados pelos médicos em texto nos prontuários eletrônicos dos clientes. Isso vai ampliar o potencial de informação dos prontuários, gerando outras informações analíticas úteis no planejamento que podem dar origem a novos serviços na instituição.
 
DCD: O que a BP – Beneficência Portuguesa de São Paulo vem implantando em termos de Transformação Digital?
 
L.H.: O ano de 2017 foi bastante produtivo para área de Tecnologia de Informação na BP - Beneficência Portuguesa de São Paulo. Concluímos a implantação do prontuário eletrônico do cliente em todas as nossas unidades de negócio, incluindo nossos três hospitais.
 
Obtivemos a classificação dos nossos três hospitais no nível 6 (dentre os 8 possíveis) do Eletronic Medical Record Adoption Model (EMRAM), modelo de adoção de prontuário eletrônico da Healthcare Information and Management System Society (HIMSS). Esse modelo preconiza a adoção progressiva de algumas tecnologias que suportam o processo assistencial, definindo 8 estágios evolutivos, do 0 ao 7. Uma instituição estágio 7 é totalmente digital, com intenso e amplo uso de tecnologias que dão suporte à assistência clínica e ao cuidado do cliente. Com o nível 6 obtido, estamos a um nível de alcançar o status de instituição totalmente digital.
 
Também gostaria de destacar que nosso case “Segurança do Paciente Acima das Decisões Orçamentárias” conquistou o Prêmio Excelência da Saúde, na última edição do Fórum Healthcare Business e que a revista “Informática Hoje” também reconheceu nosso trabalho, por meio do Prêmio Profissional de Tecnologia da Informação.
 
O ano de 2017 foi extremamente desafiador para nossa área na BP – Beneficência Portuguesa de São Paulo. Por isso, não poderia deixar de dividir essas conquistas com meu time, que se empenhou para garantir as melhores condições para que a instituição continuasse a oferecer serviços de qualidade para todos.