Segundo as previsões da Empresa de Pesquisa Energética – EPE, a demanda de energia elétrica no Brasil deverá crescer a uma taxa média de 4,8% ao ano, saindo de um patamar de consumo total de 456,5 mil gigawatts-hora (GWh), em 2010, para 730,1 mil GWh em 2020.
Considerando o período em questão, o acréscimo do consumo total de eletricidade será de 274 mil GWh, volume superior ao atual consumo de eletricidade do México e próximo ao atual consumo da Espanha. O estudo trabalha com a hipótese da economia brasileira expandir 5% ao ano, nos próximos 10 anos.
De acordo com o Superintendente de Energia e Mercado da Hidrotermica, Alessandro di Domenico, a expansão da matriz energética tem acentuado contratações de Termelétricas à Óleos Combustíveis, derivados do petróleo, em um viés contrário ao da velocidade, reduzida, de expansão. "Os projetos hidrelétricos, imprescindíveis para a segurança energética nacional, empacam com as dificuldades atribuídas pelo complexo regime necessário para obtenção de licenciamento ambiental."
Como consequência simples e direta, o país enfrenta uma alta no preço da energia causado pelo alto custo operacional das termelétricas. A ocorrência de períodos de estiagens registrados em 2012 e 2013 agravaram os parâmetros do modelo de precificação da energia, que demonstrou uma volatilidade significativa e disparou. O rebatimento chegou inclusive aos cofres públicos com diversas intervenções do governo, junto às distribuidoras para repasse de recursos, para pagamento dos encargos de geração termelétrica. Tamanhos dispêndios serão repassados para as tarifas das distribuidoras e os aumentos deverão ser sentidos pelos consumidores nos próximos ciclos.
Embora as contratações, em longo prazo, atinjam preços satisfatórios, principalemente com a fonte de geração Eólica, é o curto prazo e o alto custo operacional deste que estão impactando o modelo.
"O desafio do governo é atender a crescente carga energética com baixos custos. No entanto isso só será possível com o aumento da participação de fontes seguras e baratas na matriz energética. Três candidatos possuem esse perfil: grandes hidrelétricas, termoeletricidade movida a gás natural e usinas nucleares. Os investimentos que estão em curso, atualmente, não possuem representatividade com esses participantes, pois muitas eólicas estão sendo construídas e algumas termelétricas a óleo combustiveis."
Segundo Alessandro di Domenico, para ter um 2014 sem muitos percalços energéticos, o Brasil precisa contar com boas doses de chuvas e disponibilização de muito combustível. Apesar dos esforços do governo em reduzir o preço da energia para os consumidores, a resistência do modelo é nítida e somente uma expansão da oferta por fontes mais baratas poderá resgatar os preços almejados e programados pelo governo no início do mandato."
Questionada pela DatacenterDynamics, sobre o alto preço da energia no país, já que a fonte primária é a hidroeletricidade, que é abundante, limpa e barata, a Eletrobras Centrais Elétricas Brasileira, afirma que a energia no Brasil não é cara.
De acordo com o Superintendente de Comunicação da Eletrobras, Luiz Augusto Figueira, essa ideia era muito comum antes da redução de 20%, determinada pelo governo federal, em 2012, mas, já naquele momento, errada. Havia uma comparação que não levava em conta a peculiaridade do Brasil, cuja fatia considerável da população precisa ter sua conta de energia subsidiada, o que não ocorre em outros países. Figueira diz que a comparação por setor, já mostrava que o custo da energia no Brasil era inferior, por exemplo, ao da Itália, Portugal e Alemanha.
"Atualmente, com a redução de 20%, o Brasil é o quarto mais barato do mundo, segundo pesquisa da Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), que comparou tarifas de 18 países, o país ficou atrás apenas dos EUA, França e Finlândia", comenta.
O Superintendente diz que a Eletrobras vem trabalhando duro para, se possível, reduzir ainda mais o preço da energia.
Em 2013, a empresa investiu cerca de R$ 11 bilhões em geração, transmissão e distribuição.
"Em geração, o nosso portfólio de usinas em construção chega a 23 mil MW, enquanto, em transmissão, a companhia participa da implantação de cerca de 11 mil quilômetros de linhas. Para 2014, o investimento nestes e em outros projetos terá um orçamento de R$ 13,9 bilhões, que será realizado não só em termos corporativos, como em parceria com a iniciativa privada."
Com investimentos estimados em R$ 52,4 bilhões até 2017, a Eletrobras planeja um futuro com resultados financeiros melhores e redução de custos. Em 2013, houve contingenciamento de 20% do orçamento de materiais, serviços e outras despesas, mas a meta para o futuro é mais ousada. A previsão é que o custeio seja reduzido em 30% nos próximos três anos. O Programa de Incentivo ao Desligamento (PID) dos empregados da companhia obteve sucesso ao atingir a marca de 4,4 mil pessoas inscritas. A previsão é que sejam investidos R$ 2,4 bilhões no Programa, gerando uma economia de R$ 1,3 bilhão ao ano, com retorno do investimento em dois anos. Para 2014, ainda serão abertas as inscrições na Eletrobras Eletronuclear, o que deve gerar 500 novos postos de trabalho.
"Na busca pela eficiência, um estudo vem sendo desenvolvido, com o apoio da consultoria Roland Berger, que definirá a completa reestruturação do modelo de gestão da Eletrobras, abrangendo aspectos societários, de governança, organizacionais e de gestão econômico-financeira. A previsão é de que os estudos sejam concluídos até o fim do primeiro semestre de 2014", diz.