A Axia Energia, antiga Eletrobras, iniciou uma avaliação detalhada das alternativas de fornecimento de energia para o Rio AI City, megaprojeto de data center estimado em 50 bilhões de dólares (271 bilhões de reais) e desenvolvido pela Elea Data Centers, informa o site Cenário Energia. A iniciativa é considerada estratégica para posicionar o Rio de Janeiro entre os principais polos de inteligência artificial da América Latina. Na primeira fase, o empreendimento prevê uma carga de 1,5 GW, com possibilidade de expansão para 3,2 GW — volume equivalente ao consumo elétrico atual de toda a cidade do Rio de Janeiro —, o que pode alterar significativamente o perfil de demanda do sistema elétrico da região metropolitana.

Em entrevista, a chefe de relações com clientes da Axia Energia, Virginia Fernandes Feitosa, afirmou que a companhia está realizando estudos técnicos e econômicos para definir o modelo de infraestrutura elétrica necessário ao atendimento do novo data center. Questionada sobre o estágio atual da preparação para absorver uma carga de grande porte no sistema da capital fluminense, a executiva ressaltou que a estatal mobiliza recursos internos para acelerar o processo. Segundo Feitosa, a empresa busca aproveitar sua infraestrutura existente para atuar como catalisadora e viabilizar a iniciativa.

O plano em estudo contempla a construção de uma subestação dedicada, destinada a operar como ponto de suprimento exclusivo ou prioritário para o Rio AI City. A análise inclui ainda os reforços necessários no sistema de transmissão já existente, levando em conta a localização estratégica do empreendimento, próxima às instalações utilizadas durante os Jogos Olímpicos de 2016. Em meio ao avanço global dos investimentos em infraestrutura digital e computação de alto desempenho, o consumo energético de data centers vem alcançando patamares inéditos. No Brasil, esse movimento vem se intensificando, com empresas internacionais anunciando aportes bilionários para ampliar a capacidade instalada e reduzir a dependência de hubs no exterior.

O envolvimento da Axia Energia no projeto Rio AI City evidencia o novo posicionamento da companhia após a reorganização societária, com maior alinhamento a grandes clientes e foco em soluções personalizadas. A empresa busca consolidar-se como parceira estratégica em iniciativas de tecnologia da informação e de infraestrutura crítica. De acordo com fontes do setor, estudos dessa dimensão podem exigir desde ajustes na rede básica até a criação de corredores elétricos de alta capacidade, especialmente em casos de cargas superiores a um gigawatt, ainda pouco comuns no mercado brasileiro. A iniciativa no Rio de Janeiro integra um conjunto de movimentos recentes que reforçam o protagonismo do Brasil na infraestrutura de dados, consolidando o país como o maior mercado de data centers da América Latina e como ponto central na oferta de serviços de nuvem, inteligência artificial generativa e armazenamento corporativo.

O avanço foi evidenciado pelo anúncio da ByteDance, controladora do TikTok, que pretende investir mais de 200 bilhões de reais em um projeto de data center no Nordeste, em um movimento considerado sem precedentes e que indica a prioridade dada por grandes empresas globais ao Brasil como base para operações futuras. Entre os fatores que sustentam essa escolha estão a ampla disponibilidade de energia renovável — hídrica, eólica e solar —, a baixa intensidade de carbono do sistema elétrico brasileiro, reconhecido como um dos mais limpos do mundo, a robustez da interligação nacional, que garante flexibilidade no atendimento, e o crescimento acelerado da demanda por serviços de computação em nuvem e inteligência artificial.

A localização do Rio AI City, próxima aos cabos de fibra óptica utilizados durante os Jogos Olímpicos de 2016, é considerada estratégica por oferecer infraestrutura de telecomunicações de alta velocidade capaz de reduzir custos, encurtar prazos e aumentar a competitividade em relação a outros hubs internacionais. A primeira fase do empreendimento, estimada em 50 bilhões de dólares e com carga de 1,5 GW, posicionaria o projeto entre os maiores data centers do mundo. A Elea Data Centers projeta que a capacidade futura alcance 3,2 GW, patamar comparável ao de regiões globais de referência em infraestrutura digital, como a Virgínia do Norte, nos Estados Unidos, e Singapura. A perspectiva de entrada de uma nova carga superior a 1 GW no estado do Rio de Janeiro tem gerado debates sobre planejamento, expansão da rede e integração de fontes renováveis.

Especialistas apontam que empreendimentos dessa dimensão exigem reforços no sistema de transmissão, soluções de confiabilidade e redundância, e coordenação com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para modelagem de impactos e análise de alternativas de geração dedicada ou de contratos de longo prazo de energia renovável. A conclusão dos estudos conduzidos pela Axia Energia será decisiva para definir o modelo de suprimento, o cronograma de obras e os investimentos necessários. Caso seja viabilizado, o projeto tem potencial para reposicionar o Rio de Janeiro como referência continental em infraestrutura digital e inteligência artificial.