A Axia Energia, marca recentemente lançada pela Eletrobras, está ampliando sua estratégia de integrar data centers à sua infraestrutura de geração de energia — incluindo iniciativas em regiões menos comuns a esse tipo de empreendimento. Após solicitar autorização para desenvolver um campus em Campinas, no interior paulista, a empresa agora planeja instalar um data center no interior de Sergipe, estado que historicamente recebe poucos projetos dessa magnitude.

Segundo informações da BNamericas, o novo projeto, denominado DC Xingó, está previsto para ser implantado no município de Canindé de São Francisco, no extremo noroeste de Sergipe, a aproximadamente 213 km de Aracaju.

Apesar de ainda não contar com data centers de grande escala, Sergipe tem adotado medidas estratégicas para se tornar um polo atrativo para investimentos no setor de infraestrutura digital. A iniciativa busca diversificar a economia local e atrair empresas de tecnologia interessadas em expandir suas operações para novas regiões.

Segundo informações da Desenvolve-SE, agência estadual responsável pela promoção do desenvolvimento econômico, pelo menos oito empresas estão avaliando atualmente oportunidades de implantação de data centers no estado. Esse movimento já resultou na formalização de dois memorandos de entendimento e de duas cartas de intenção, indicando o interesse concreto de investidores em avançar com projetos na região.

Entre os principais atrativos destacados pelo governo estadual estão os preços competitivos da energia elétrica no mercado livre, que oferecem vantagens econômicas para operações de alto consumo de energia, como data centers. Além disso, Sergipe conta com ampla disponibilidade de fontes de energia renovável, como a solar e a eólica, o que reforça o compromisso com práticas sustentáveis e atende às exigências ambientais das empresas do setor tecnológico.

O projeto de data center em desenvolvimento pela Axia Energia está na fase inicial de documentação e tem como objetivo estabelecer conexão direta com a usina hidrelétrica de Xingó, operada pela própria empresa. Para que seja energizado e integrado ao Sistema Interligado Nacional (SIN), o empreendimento ainda depende de autorizações formais do Ministério de Minas e Energia (MME), da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Caso avance para as próximas etapas, o projeto poderá enfrentar desafios comuns a iniciativas desse tipo em regiões fora dos grandes centros urbanos. Entre os principais obstáculos estão a infraestrutura de conectividade limitada, a dificuldade de acesso a profissionais com qualificação técnica específica e os elevados custos logísticos relacionados ao transporte e à instalação de equipamentos especializados.

No contexto da matriz energética, a Axia Energia opera um portfólio de 81 usinas, sendo 47 hidrelétricas, 33 parques eólicos e uma planta solar. A empresa declara ser responsável por cerca de 17% da capacidade instalada de geração de energia elétrica no Brasil, o que reforça sua posição estratégica no setor.

Entre os recursos considerados para o resfriamento do sistema do futuro data center, estão o aquífero Marituba e o reservatório da usina hidrelétrica de Xingó. No entanto, o uso potencial dessas fontes hídricas tem suscitado questionamentos por parte de organizações da sociedade civil, que expressam preocupações quanto aos possíveis impactos na segurança hídrica de Sergipe.

Para estimular a atração de investimentos no setor, o estado também disponibiliza incentivos por meio do Programa Sergipano de Desenvolvimento Industrial (PSDI). O programa contempla benefícios fiscais, facilidades de acesso ao crédito e apoio na definição da localização para empreendimentos industriais e tecnológicos.

Adicionalmente, o governo estadual está em processo de implementação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE), com o objetivo de atrair empresas voltadas à exportação de serviços, incluindo data centers. Essa iniciativa se apoia em uma medida provisória federal publicada neste ano, que amplia os incentivos fiscais para operações de tecnologia da informação que atuem a partir dessas zonas especiais.

Atualmente, Sergipe conta com uma operação ativa no setor de data centers: a Smart Datacenter, empreendimento desenvolvido em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedetec). Inaugurada em 2024, essa instalação representa um marco para o estado, sendo a primeira a operar com 100% de energia proveniente de fontes renováveis e alinhada às diretrizes de sustentabilidade e eficiência energética.

Paralelamente, o grupo Optimus Technology anunciou um investimento significativo, estimado em 1 bilhão de dólares (5,4 bilhões de reais), para a construção de um novo data center e de um centro de pesquisa voltado à inovação tecnológica. O projeto será implantado no município de Nossa Senhora do Socorro, na região metropolitana de Aracaju, que também foi selecionada como local estratégico para a futura implantação da Zona Econômica Especial (ZEE) de Sergipe.

A escolha da área visa aproveitar os benefícios fiscais e logísticos previstos para zonas de processamento voltadas à exportação de serviços, especialmente após a publicação de uma medida provisória federal que estende incentivos tributários a empresas de tecnologia que operam nessas zonas. Com isso, o estado busca consolidar sua posição como um novo polo de infraestrutura digital e inovação no Nordeste brasileiro.