A Advanced Micro Devices (AMD) alerta que os cortes orçamentários e a falta de políticas públicas estáveis ameaçam os avanços em inteligência artificial e supercomputação na América Latina, apesar dos progressos alcançados no Chile e na Argentina com clusters de alto desempenho.

Projetos em andamento apesar dos obstáculos

A AMD avança em iniciativas cruciais de inteligência artificial e supercomputação no Chile e na Argentina, destacando colaborações com instituições como o Laboratório Nacional de Computação de Alto Desempenho (NLHPC) e o Centro Nacional de Inteligência Artificial (Cenia).

No Chile, o acordo com a Universidade do Chile potencializou o supercomputador Leftraru 2, multiplicando por quatro sua capacidade de computação e possibilitando projetos como o MIRAI para o diagnóstico precoce do câncer. No entanto, a empresa alerta que as restrições orçamentárias e a falta de políticas públicas estáveis colocam em risco a continuidade a longo prazo desses desenvolvimentos.

Os cortes nos orçamentos públicos representam o principal obstáculo, pois interrompem o financiamento sustentado necessário para infraestruturas de alto desempenho, como clusters de GPUs e servidores EPYC.

Na Argentina, esforços semelhantes enfrentam volatilidade econômica e ausência de marcos regulatórios que garantam investimento contínuo, o que poderia frear a adoção regional de tecnologias de IA. A AMD enfatiza a necessidade de estratégias governamentais que garantam não apenas a implantação inicial, mas também a manutenção e escalabilidade dessas plataformas.

Oportunidades em infraestruturas eficientes

Apesar dos desafios, a AMD vê potencial em soluções otimizadas que reduzem custos e maximizam a eficiência, permitindo que pequenos clusters concorram em tarefas complexas de IA. Projetos como o laboratório Telco Cloud no Chile, desenvolvido com a Whitestack e a Dell, ilustram como as parcerias público-privadas podem acelerar a interoperabilidade em 5G e data centers, impulsionando um mercado regional avaliado em mais de 5 bilhões de dólares (26 bilhões de reais). A empresa frisa que, com políticas adequadas, a América Latina poderia posicionar-se como um centro de computação soberano, resolvendo desafios locais nas áreas da saúde, energia e modelação climática.

Implicação pública

Para superar esses desafios, a AMD insta os governos da região a implementar estruturas que priorizem o investimento contínuo em supercomputação, promovendo ecossistemas colaborativos entre a indústria, a academia e o Estado. Em um contexto de boom dos data centers e da procura por IA, a ausência de apoio sustentado pode marginalizar países como o Chile e a Argentina na corrida global pela inovação tecnológica. A empresa compromete-se a continuar a fornecer hardware de ponta, mas insiste que o sucesso depende de ambientes estáveis que evitem interrupções orçamentais.

*Texto traduzido e editado ao português por Bruno Faria