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O mercado brasileiro de datacenters deverá movimentar cerca de R$ 3 bilhões por ano em 2014. Tal cifra será atingida por um crescimento sustentado de 15% ao ano, segundo dados das consultorias IDC e Frost & Sullivan. A parte de hospedagem de infraestrutura responderá por 50% dessa movimentação (R$ 1,5 bilhões), dizem os analistas. Em 2009, esse montante era de R$ 750 milhões, ainda segundo essas mesmas consultorias.

Só o mercado de hosting deverá movimentar cerca de R$ 1,1 bilhão em 2011. Um dos principais motores desse crescimento é a terceirização. Com o crescimento da economia brasileira, as empresas precisam acelerar a implantação de novas tecnologias para não prejudicar os negócios.

Investimentos feitos para tornar os datacenters brasileiros compatíveis com os padrões internacionais começam a dar resultado e a procura por serviços de datacenter tem aumentado. Entre as pequenas e médias empresas, a procura tem sido por aplicações web, principalmente as baseadas em cloud computing. Já as grandes empresas tem usado hospedagem em equipamentos com gerenciamento de ambiente (managed hosting ou managed colocation).

Levantamento feito pela consultoria Frost & Sullivan aponta uma tendência para o mercado de datacenters no médio prazo: até 2013, o espaço utilizado por datacenters nos EUA deverá crescer cerca de 15% . No entanto, o espaço para TI possuído pelas empresas deverá cair de 70% para 64%. Ou seja, aumentará a terceirização da infraestrutura de TI.

De acordo com a Frost & Sullivan, o preço para construir um datacenter e o tempo para finalizar a obra são as principais motivadoras dessa tendência. A modalidade de terceirização mais utilizada deverá ser o colocation (compartilhamento de espaço e infraestrutura de TI). Estudo feito pela Info-Tech Research Group mostra que 64% das empresas norte-americanas já possui algum tipo de serviço de colocation, incluído o hosting.

Nesse cenário, a Alog Datacenters tem uma meta ambiciosa: quer se firmar como a principal fornecedora brasileira de colocation. Em tempos onde todos falam em cloud computing, Keith Matsumoto, coordenador de Inteligência Competitiva da empresa faz um trocadilho para começar a explicação sobre a estratégia de negócios da empresa.

“A estratégia da empresa é baseada em ground computing”, diz Matsumoto. A frase do executivo mostra uma visão onde cloud computing não é uma tecnologia oposta aos servidores físicos, mas sim uma evolução natural da infraestrutura de TI.

Para ilustrar, ele faz uma analogia tecnológica: a computação em nuvem está para os servidores assim como o CD está para o vinil. Nesse sentido, o modelo de colocation é o tocador de vinil ou CD, com o formato (servidor físico ou computação em nuvem), variando conforme as necessidades do cliente.

Fazem parte do portfólio da Alog tanto o modelo tradicional de colocation quanto o modelo de hosting. No primeiro, a Alog propicia o aluguel do espaço e da infraestrutura. Nesse modelo, a principal vantagem é a rapidez na implantação – um contrato mais adequado para empresas cuja demanda de TI cresceu rapidamente.

No hosting, toda a gestão da TI é terceirizada, inclusive a gestão do ambiente. Para empresas com necessidades menos urgentes, pode ser uma opção, pontua Matsumoto. Mas segundo o executivo, “muitas empresas preferem o modelo de colocation por uma barreira cultural. Há o medo de demissão da equipe e nem todas as empresas se sentem seguras ao entregar toda a gestão de dados para outra companhia”. Por essas razões, a empresa decidiu focar nos serviços de colocation, mais fáceis de serem vendidos, na opinião de Matsumoto.

Todavia, a Alog não despreza o segmento de cloud computing, como a frase de efeito de Matusmoto faz supor. Um dos produtos da empresa é o fornecimento de cloud computing para o setor privado – o setor governamental representa só 1% dos negócios da Alog. “Nossa oferta de cloud privada procura aliar segurança com integração aos outros serviços da empresa”. A receita vem dando resultado e esse segmento já responde por algo entre 5% a 10% do faturamento da Alog – já considerados os percentuais da Tecla, unidade da Alog especializada em computação em nuvem.

Conforme as previsões da empresa, a Alog deverá crescer no mesmo ritmo do mercado de datacenters: 15% ao ano até 2015. A Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro estão entre os fatores responsáveis por esse crescimento.  No entanto, segundo Matsumoto, esses eventos são apenas catalisadores do crescimento da Alog: “Queremos manter esse crescimento depois de realizados os eventos esportivos no Brasil”, diz o executivo.

Matusmoto diz que o principal motivo para o crescimento da Alog está na chamada “abordagem consultiva” aos clientes. “Procuramos aumentar o portfólio de soluções, de modo a atender diferentes segmentos de mercado, sempre flexibilizando os serviços para solucionar as demandas das empresas. Oferecemos desde colocation até ERP como serviço”, exemplifica.

Boa parte da expectativa de crescimento da Alog está fundada na recente aquisição da empresa pela norte-americana Equinix. A empresa conta com 99 datacenters em 38 cidades, espalhados por 13 países e 5 continentes do globo. “Essa é a maior demonstração do ‘ground computing’, precisamos estar fisicamente perto dos clientes se queremos oferecer a máxima disponibilidade”, explica Matsumoto.

De acordo com o executivo, não foi uma compra clássica, pois a matriz norte-americana manteve toda a equipe da Alog no Brasil. Mas, certamente, a junção com a Equinix deverá “turbinar” os investimentos no Brasil. Os 470 funcionários no Brasil vão somar forçar aos cerca de 2500 profissionais da matriz e o faturamento de US$ 3 bilhões da Equinix ajudarão a ampliar a capacidade de investimento da Alog, cujo faturamento em 2011 deverá chegar aos R$ 3 bilhões.

Uma característica da Equinix já se incorporou à Alog: a atuação focada em verticais. Entre os clientes da Alog estão empresas de diversas verticais, no entanto, dois setores se destacam segundo Matsumoto: telecomunicações e empresas do ramo financeiro. O executivo explica que a maneira de atender esses dois setores é muito diferente.

“Bancos e outras empresas ligadas aos mercados financeiros precisam de disponibilidade e velocidade. Nosso datacenter em Tamboré está a 200 metros do datacenter da Bovespa. Isso é uma maneira de acelerar a velocidade das transações, aspecto fundamental para as corretoras, empresas que trabalham com milhares de pedidos de compra e venda de ação a cada minuto”, diz Matsumoto.

Segurança também é outra questão crítica quando falamos de mercado financeiro. Conforme explica Matsumoto, por conta dos escândalos contábeis envolvendo a Enron (empresa norte-americana do setor elétrico), aumentou a regulação sobre a segurança de informação das empresas e isso teve impacto nas terceirizações do setor de TI.

“A Lei Sarbanes-Oxley (marco do setor contábil), com a certificação Statement on Audit Services 70 (Revisão de Controles para Terceirização de Processos e Infraestrutura de TI), mais conhecida como SAS 70, obriga as empresas a rastrear e manter armazenados suas informações de transações financeiras e contábeis. Matsumoto afirma que os serviços prestados pela Alog para o setor financeiro contam com essa certificação.

Já o setor de telecomunicações é considerado por Matsumoto como um “gerador de negócios”. No Brasil, a Alog atende 20 operadoras de telefonia, fornecendo a infraestrutura para serviços que vão da simples conectividade à Internet à telefonia sobre IP (VoIP).