O CEO da Alibaba, Eddie Wu, reafirmou com firmeza os planos de expandir globalmente a Alibaba Cloud.
Ao falar em um evento corporativo na semana passada, Wu disse aos participantes que a empresa pretende desenvolver uma "rede global de nuvem unificada" e investirá 380 bilhões de yuans (US$ 52,7 bilhões) para isso.
Segundo o jornal South China Morning Post, de propriedade da Alibaba, a empresa busca "acelerar" a construção de sua rede em países como Japão, Coreia do Sul, Sudeste Asiático, Oriente Médio, Europa e Américas, com o objetivo de oferecer serviços consistentes de infraestrutura de IA para empresas chinesas, tanto no país quanto no exterior.
Atualmente, a Alibaba Cloud opera 87 zonas de disponibilidade em 29 regiões. Somente neste ano, a empresa lançou uma nova região no México e um segundo data center na Tailândia.
Os planos de investimento em capital (capex) da empresa foram divulgados pela primeira vez em fevereiro deste ano, mas foram reiterados diante das crescentes tensões entre os EUA e a China em relação ao hardware de IA.
Os EUA há tempos restringem o acesso da China a chips avançados de IA, o que levou empresas como a Nvidia a lançar, em 2023, os chips H20 — uma versão menos sofisticada dos H100 — para o mercado chinês.
Contudo, em abril de 2025, o governo dos EUA impôs novas restrições às exportações dos chips H20 da Nvidia para a China, o que gerou forte insatisfação na Nvidia. A empresa declarou que isso resultaria em aproximadamente US$ 5,5 bilhões em encargos relacionados a estoques, compromissos de compra e reservas dos produtos H20, além de forçá-la a abandonar US$ 15 bilhões em vendas devido às novas restrições.
Com o desenvolvimento da rede global de nuvem, a Alibaba busca garantir que seus clientes chineses ainda possam acessar infraestrutura de IA no exterior. Outras empresas chinesas, como a ByteDance, teriam usado locais no exterior como uma forma de contornar as restrições e acessar chips da Nvidia fora da China.
No início deste ano, após o anúncio dos planos de capex da Alibaba, o presidente da empresa, Joe Tsai, criticou o alto investimento dos hyperscalers dos EUA em data centers voltados para IA, dizendo na ocasião: “Começo a ver o início de algum tipo de bolha”.
Ele acrescentou: “Começo a me preocupar quando vejo pessoas construindo data centers por especulação. Muitos fundos estão surgindo, tentando levantar bilhões ou milhões em capital”.
Para efeito de comparação, a Microsoft prometeu US$ 80 bilhões em investimentos, a Amazon US$ 100 bilhões, o Google US$ 75 bilhões, e a Meta estima entre US$ 60 e 65 bilhões.
Receita da Alibaba Cloud foi impulsionada por IA no último trimestre
Neste mês, a Alibaba também divulgou os resultados financeiros do trimestre encerrado em 31 de março de 2025.
A divisão Alibaba Cloud teve crescimento de receita de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando US$ 4,152 bilhões, atribuído pela empresa à “forte demanda por IA”.
A receita com “produtos relacionados à IA” manteve crescimento anual de três dígitos pelo sétimo trimestre consecutivo, com adoção em setores como varejo, manufatura e mídia.
Durante a teleconferência de resultados com analistas, o CEO Wu declarou: “Muitas das empresas que começaram adotando IA inicialmente eram do setor de internet ou finanças digitais... Mas agora estamos vendo muitos novos cenários e novas empresas de outros setores adotando serviços de IA”, acrescentando que a IA está se mostrando um “forte impulso para a migração para a nuvem”.
Nenhuma menção foi feita aos planos de expansão global da empresa, nem ao investimento de capital.
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