De acordo com a Akamai, assim como nos Estados Unidos e na Europa, a adoção de Computação em Nuvem no Brasil é irreversível e estratégica para as empresas se manterem competitivas, principalmente neste momento de instabilidade e incertezas. Segundo a empresa, alocar recursos para atualizar ambientes tecnológicos (hardware, software, links de internet, capacidade de rede, profissionais, certificações, etc), descapitalizando a empresa (Capex), pode ser arriscado e não trazer os resultados esperados.
 
Mais do que nunca as experiências dos usuários, clientes e colaboradores com o website e aplicações web são fatores que refletem diretamente nos resultados financeiros das empresas. O principal desafio dos próximos anos para as empresas, após definirem e alinharem as estratégias de Negócios e TI, será como melhorar as experiências dos usuários, clientes e colaboradores de forma segura em qualquer dispositivo, em qualquer lugar, em qualquer rede (3G, 4G, Wifi, etc) a qualquer hora, ou seja, como “protect e perform” de forma efetiva sem comprometer recursos desnecessariamente.
Confira agora uma entrevista com Alex Felipelli, executivo da Akamai no Brasil.
 
 
DatacenterDynamics: Qual é o maior obstáculo no Brasil para a adoção da nuvem?
 
Alex Felipelli: Dentre os obstáculos podemos ressaltar, o alinhamento estratégico entre Negócios e TI para definir - sob a ótica dos usuários, clientes e colaboradores - objetivos, métricas e prazo em que devem ser alcançados. Outro seria, como proporcionar a mesma experiência de websites e aplicações na nuvem para qualquer dispositivo a qualquer momento – principalmente, devido aos desafios de qualidade e desempenho da internet no país. Conforme publicado em dezembro de 2015 pelo State of the Internet (SOTI, estudo trimestral da Akamai baseado nos dados coletados pela Akamai Intelligent Platform que processa entre 15% e 30% do tráfego mundial de internet), o Brasil apresentou velocidade média de 3,6 Mbps e, mesmo com o crescimento de 1% em relação ao trimestre anterior, caiu no ranking, saindo da 90ª para 93ª posição.
Ainda, outro desafio é a segurança na nuvem, ou seja, como racionalizar os recursos para manter o website e aplicações na nuvem protegidos contra ataques de negação de serviço (DoS, DDoS), roubo de dados/informações sensíveis e desfiguração (defacement).
 
DCD: São frequentes os casos de áreas que passam por cima da diretoria de tecnologia?
 
A.F.: Apesar de não termos este dado de forma estatística, nossa experiência no contato diário com parceiros e clientes mostra que esta é uma das principais causas da evolução da área de tecnologia, que passa a ser mais estratégica. Anteriormente era comum outras áreas (Marketing, Vendas e Negócios) não lançarem campanhas em redes sociais e mídia aberta por limitações tecnológicas. Além disso, era difícil prever a demanda e alocar recursos suficientes (hardware, software, links de internet, capacidade de rede, profissionais, etc), uma vez que depois da campanha certamente haveria ociosidade de recursos tecnológicos. Há algum tempo observamos a atuação conjunta das áreas de Negócio e Tecnologia na viabilização de campanhas baseadas na elasticidade, offload, desempenho, segurança e disponibilidade de websites e aplicações em cloud computing.
 
DCD: Hoje adotar a nuvem pública deixou de ser uma discussão técnica para ser uma decisão estratégica?
 
A.F.: Observamos este movimento há algum tempo, principalmente para aplicações baseadas na web e websites. Não só por uma questão de custos/racionalização de investimentos, mas para melhorar: produtividade com inovação, facilidade de adoção, flexibilidade, agilidade, implantação mais rápida, experiências dos usuários, cliente e colaboradores e competitividade. Tudo isso, por meio da experimentação de novas ferramentas e tecnologias como redes sociais, big data e mobilidade, sem mencionar os desafios de energia e TI Verde.
 
DCD: De acordo com alguns estudos, dentro de alguns anos, a maioria das corporações usará a nuvem híbrida para lidar com os desafios internacionais. A Akamai acredita nisso?
 
A.F.: Muitas corporações utilizarão nuvem híbrida principalmente pelo crescimento do consumo de conteúdo online via dispositivos móveis a qualquer hora em qualquer lugar.  O State of the Internet Security (estudo trimestral da Akamai sobre o estado da internet no mundo) mostra que não só o governo é alvo de ciberataques, mas também patrocinadores e empresas envolvidas com grandes eventos. Por exemplo, o Brasil receberá muitos estrangeiros durante as Olimpíadas e para isso, as empresas precisam estar preparadas para a demanda online.
 
DCD: Estudos também apontam que nos próximos anos as pequenas empresas utilizarão cada vez mais a nuvem pública, enquanto as médias e grandes vão aderir nuvens híbridas. Esse é o fluxo do mercado brasileiro?
 
A.F.: Estamos acompanhando a evolução do mercado nacional e acreditamos neste movimento principalmente pela necessidade de agilidade (go-to-market), restrição de recursos, flexibilidade, inovação e escalabilidade.