A Akamai anunciou dois novos produtos para seu ecossistema de inteligência artificial (IA): o Akamai Inference, serviço gerenciado de implantação de modelos (model serving), e o Akamai Agent Sandbox, ambiente de execução isolada para agentes de IA. Com as novidades, a Akamai Cloud passa a permitir que empresas criem e ajustem modelos de código aberto (open-weight) ou hospedados, alimentem esses modelos com dados próprios, executem agentes dentro de limites controlados e protejam aplicações, agentes e infraestrutura em uma única plataforma.

Segundo a companhia, os lançamentos representam o passo mais recente de sua estratégia de IA, que tem como objetivo oferecer infraestrutura e serviços globais para disponibilizar, executar e proteger aplicações e agentes próximos aos usuários e aos dados. A Akamai informou que essa infraestrutura já garantiu contratos plurianuais para a Akamai Cloud com valor total superior a 14 bilhões de dólares (76,3 bilhões de reais) — entre eles, o acordo de computação de 11,6 bilhões de dólares firmado com a Anthropic.

A empresa afirma que sua capacidade de combinar CPUs e GPUs com armazenamento em nuvem, redes e funções de edge em uma malha global interconectada vem se consolidando como base para que clientes criem, implementem e executem cargas de trabalho de IA em larga escala. De acordo com a Akamai, a plataforma abrange um continuum de processamento que vai de clusters densos de GPU e CPU em regiões centrais a mais de 4.350 locais de edge, estratégia que dá sequência ao lançamento de regiões de computação distribuída para cargas de trabalho de edge.

Na avaliação da companhia, empresas que levam a IA para produção precisam de mais do que modelos: dependem de infraestrutura de serviços, acesso aos próprios dados, roteamento e governança e, à medida que agentes passam a escrever e executar código, de barreiras que limitem o que esse código pode acessar. A Akamai aponta que a maioria das equipes reúne esses componentes de diferentes fornecedores e administra por conta própria os pontos de integração.

Para Adam Karon, diretor de operações e gerente geral da Akamai Cloud, a empresa vem executando uma estratégia de infraestrutura de IA baseada na premissa de que a inferência concentrará a maior parte do foco e do investimento das empresas — tese que, segundo ele, foi comprovada pelos clientes. Karon afirmou que os clientes querem desenvolver, operar e proteger a IA na mesma plataforma e que os dois novos produtos acrescentam as camadas de inferência e execução que transformam a infraestrutura de IA da Akamai em um ecossistema completo, protegido pelo portfólio de segurança da companhia.

O Akamai Inference oferece acesso gerenciado a modelos de código aberto e personalizados por meio de APIs compatíveis com a OpenAI, o que permite integrar aplicações existentes sem reescrevê-las. Os clientes podem optar por serverless, inferência sob demanda (pay-per-use) ou implantações dedicadas.

No lançamento, o catálogo reúne 12 modelos de código aberto, que vão de 8 bilhões a 2,8 trilhões de parâmetros, entre eles o NVIDIA Nemotron-3 Ultra, o OpenAI gpt-oss-120b e o Google Gemma 4, além de modelos de embeddings para geração aumentada por recuperação (RAG).

A Akamai Cloud oferece bancos de dados gerenciados e armazenamento de objetos, com integração a plataformas de nuvem pública e privada, para que os modelos utilizem dados corporativos. O Akamai Inference cuida da orquestração, da execução dos modelos e da autenticação. As requisições são processadas na rede global da empresa, o que, segundo a Akamai, reduz a latência e contribui para alta disponibilidade, desempenho consistente e níveis de serviço previsíveis. A execução da inferência mais próxima do usuário, na borda da rede, tem se tornado uma frente de disputa entre provedores de infraestrutura.

Com agentes de IA assumindo tarefas reais — da execução de ações em nome do usuário à escrita e execução de código próprio —, o Akamai Agent Sandbox foi concebido como um ambiente seguro para essas duas atividades. Os agentes rodam no Akamai Functions, enquanto o código que eles geram é executado em um ambiente isolado, separado do ambiente de execução do agente.

Disponibilizado como componente de código aberto do framework Spin, o Agent Sandbox utiliza o isolamento do WebAssembly para estabelecer limites de processamento, memória, conexões de saída e capacidades do sistema. Segundo a Akamai, isso permite aos desenvolvedores implantar agentes sabendo exatamente onde serão executados e a quais recursos terão acesso.

A empresa observa que o isolamento de agentes vem convergindo para diferentes modelos, como microVMs com recursos de snapshot e fork, containers regidos por políticas e funções isoladas via WebAssembly. A Akamai afirma permitir que os desenvolvedores escolham a arquitetura mais adequada a cada carga de trabalho, com infraestrutura de CPU dedicada e acelerada por NVIDIA, Kubernetes gerenciado e Akamai Functions para execução serverless na edge e no core. A companhia também planeja incluir funcionalidades para controlar quais recursos os agentes podem acessar e a partir de onde. O avanço da chamada IA agêntica também tem mobilizado outros fornecedores, como a Nutanix, que lançou um software full stack voltado a fábricas de IA corporativas.

A Akamai também ampliou sua frota dedicada de GPUs, que passa a incluir clusters NVIDIA Blackwell Ultra, voltados a empresas que desejam desenvolver, ajustar e hospedar modelos próprios em infraestrutura sob seu controle, além de GPUs NVIDIA RTX PRO 6000 Blackwell Server Edition para inferência de baixa latência. A empresa informou ainda que está preparando seus data centers para suportar a plataforma NVIDIA Vera Rubin em 2027 — geração que outros provedores de nuvem também começam a adotar, como mostra a parceria entre NVIDIA e Oracle para levar o Vera Rubin à escala de vários gigawatts.

Cada nodo Blackwell Ultra com oito GPUs conta com 288 GB de memória HBM3e por GPU, totalizando 2,3 TB, capacidade que, segundo a Akamai, é suficiente para acomodar modelos de fronteira. A arquitetura foi projetada para cargas que exigem grande volume de memória, como escalonamento durante a inferência, raciocínio em etapas (chain-of-thought) e tarefas de agentes com contextos extensos. De acordo com a empresa, os clusters dão às companhias controle sobre versões de modelos e cronogramas de descontinuação, operam sem limites de taxa ou filas decorrentes do compartilhamento de recursos e se conectam aos mesmos serviços de dados, rede e segurança do restante da Akamai Cloud.

Na visão de Jon Alexander, vice-presidente sênior de Tecnologia em Nuvem da Akamai, as empresas não deveriam precisar escolher entre velocidade e controle ao levar a IA para produção. Segundo o executivo, algumas equipes querem lançar recursos de IA ainda neste trimestre em uma plataforma gerenciada, enquanto outras precisam de GPUs dedicadas para executar modelos abertos de ponta de acordo com as próprias necessidades. Alexander acrescentou que toda equipe que utiliza agentes precisa de limites para o código gerado por eles e que a Akamai Cloud passa a atender a todos esses perfis em uma única plataforma, com segurança e resiliência integradas.

O Akamai Agent Sandbox (via Spin SDK) e o Akamai Inference estão disponíveis em versão beta. A versão beta do Akamai Inference inclui opções de implantação serverless. Informações sobre a disponibilidade de clusters de GPUs NVIDIA B300 devem ser solicitadas à equipe de vendas da Akamai.