Entrou em vigor este ano, a norma ABNT NBR ISO/IEC 17788:2015, que fornece uma visão geral sobre a Computação em Nuvem, assim como um conjunto de termos e definições sobre o tema. Trata-se da versão em português de um trabalho realizado em cooperação entre a International Telecommunication Union (ITU), que coordena padrões internacionais para telecomunicações, e a International Organization for Standardization (ISO), organização internacional para padronização. No Brasil, esse trabalho ficou a cargo de equipes da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), da Agência Nacional de Telecomunicações - Anatel, e do Serviço Federal de Processamento de Dados - Serpro.
 
Para a Anatel, a norma sedimenta a arquitetura básica de referência e os termos vão permitir a evolução das tecnologias relacionadas à cloud com maior celeridade, e que toda a indústria desenvolva produtos com maior garantia de compatibilidade e economia de escala.
 
Sendo assim, a partir deste ano, empresas brasileiras com potencial de oferecer seus serviços de nuvem ao mercado internacional terão benefício direto com a adoção da norma, pois já podem fazer o ajuste de suas ofertas e campanhas de marketing. Empresas consumidoras de serviços de nuvem terão maior possibilidade de comparar as ofertas feitas pelas empresas prestadoras de serviços de nuvem, pois todos poderão utilizar vocabulário e entendimento comuns. Para as pequenas empresas, a norma também se mostra benéfica já que, normalmente, possuem poucos técnicos especializados em TI para fazer as avaliações corretas e são mais suscetíveis às campanhas de marketing.
 
Processo
 
O analista do Serpro, Luiz Guilherme Aldabalde, conta que o processo de padronização começou em 2012, logo após a realização de um trabalho relevante na ABNT, relacionado à adoção da norma sobre padrões de documentação eletrônica (ODF e OXML). Deste esforço, surgiu uma sinergia que resultou na criação de um novo grupo de trabalho para tratar do tema Computação em Nuvem, que estava começando a ser elaborado pela ISO. 
 
O trabalho, na versão internacional, foi realizado por um projeto cooperativo entre  a ITU-T/SG 13 e ISO/IEC JTC 1/SC38. No Brasil, as equipes ABNT, Serpro e Anatel trabalharam juntas por cerca de dois anos, criando comentários para aprimoramento de sucessivas versões, antes da publicação final em 2014. 
Segundo as instituições, o Brasil teve uma participação relevante na elaboração da norma, analisando os documentos enviados, propondo novas definições, solicitando correções e tendo seu trabalho reconhecido através da incorporação, no documento final, das diversas contribuições apresentadas. 
 
"Este momento foi emblemático para a ABNT, pois representou a participação do Brasil na elaboração e revisão de uma norma internacional desde seu princípio, possibilitando que muitas contribuições do Brasil estejam presentes na versão final da ABNT NBR ISO/IEC 17788:2015, tradução da norma internacional, disponibilizada em dezembro de 2015."
 
Norma
 
A disponibilização da norma de vocabulário e visão geral de Computação em Nuvem, em português, permite que empresas, usuários, associações de indústria, legisladores, reguladores e membros dos setores de TI e Telecom trabalhem com uma base sólida e comum entendimento sobre o que é a Computação em Nuvem, também o grupo de participantes e que tipo de benefícios dela podem ser obtidos. Isso possibilita que aspirantes a esse ecossistema possam ter uma melhor avaliação de riscos e elaboração de portfólio de produtos. Além disso, a norma permite que todos trabalhem sobre definições válidas internacionalmente, o que habilita empresas brasileiras a exportar seus serviços e consumidores brasileiros utilizarem adequadamente os serviços oferecidos tanto por empresas nacionais quanto estrangeiras.
 
A norma ABNT NBR ISO/IEC 17788:2015 representa uma referência internacional sobre o tema Computação em Nuvem, exprime o consenso de ideias de especialistas  oriundos de diversas empresas em vários países.
Na prática, o Brasil tem agora um conjunto de termos e modelos que servem de base para elaboração de licitações, assim como para estabelecer níveis de serviços oferecidos e exigidos.
 
"Toda norma é um padrão a partir do qual são referenciados documentos, especificações e projetos. Toda vez que se estabelece um padrão sobre uma tecnologia, fica mais fácil entender o assunto, avaliar as diferenças entre fornecedores e propor melhorias a partir de um ponto comum." 
A partir deste ano, a norma passa a ser uma das referências na aquisição ou elaboração de algum produto relacionado ao tema Computação em Nuvem. Os padrões, que compõem a norma, servirão para avaliação de soluções e fornecedores possibilitando uma maior transparência tanto na venda como na compra, favorecendo a concorrência e afastando soluções singulares. 
 
A diferença entre as diversas soluções de Computação em Nuvem vai residir na qualidade do serviço apresentado, evitando o aprisionamento tecnológico por incompatibilidade com outros fornecedores. 
 
Estágio
 
De acordo com o Serpro, a Computação em nuvem no Brasil está em expansão, já que existe uma demanda significativa em função dos benefícios obtidos na adoção da tecnologia, tais como redução de custos, flexibilidade, ubiquidade e racionalização do uso do processamento. Mas ainda existem questionamentos sobre a segurança, a realidade por trás das vantagens oferecidas e sobre a conectividade necessária. 
 
O Serpro vem investindo em segurança e na experiência de uso da nuvem, espera com isso ajudar a melhorar a qualidade dos serviços ofertados e estimular o uso através de inovações na sua disponibilização. 
O analista do Serpro, ressalta que a Computação em Nuvem oferece uma melhor utilização dos recursos computacionais e abre a perspectiva de adoção de um modelo utilitário no qual o custo se dá a medida do uso. Mas para isso, certos conceitos devem ser adequados a este mundo novo, tais como a localização dos servidores estarem fora das dependências da empresa contratante de uma solução em nuvem.
 
A expectativa da ABNT, é de que esta norma seja amplamente adotada pelo mercado, facilitando o comércio de serviços baseados em Computação em Nuvem, tanto pelo lado produtor quanto pelo lado consumidor, e ofereça uma maior visibilidade dos trabalhos da comissão brasileira aos profissionais dedicados a esta tecnologia, possibilitando maior adequação das normas internacionais à realidade brasileira.