A pesquisa realizada pela DE-CIX durante o Capacity LATAM 2026 e o Fórum Interconnecting Rio indica forte confiança dos executivos de infraestrutura e conectividade na evolução do ecossistema digital brasileiro. O levantamento projeta o Brasil como principal hub digital da América Latina até 2030.

São Paulo aparece como destaque: 80% dos entrevistados atribuíram notas entre 8 e 10 à chance de a cidade integrar, ainda nesta década, o grupo dos dez maiores mercados globais de interconexão. O resultado reforça a posição da capital paulista como ponto estratégico na rede digital internacional.

Segundo Darwin da Costa, diretor regional da DE-CIX Brasil e América do Sul, o país deixou de ser apenas um mercado observado e passou a influenciar diretamente a configuração da conectividade global.

O avanço da Inteligência Artificial também direciona prioridades do setor. Para 95% dos participantes, a tecnologia estará incorporada às operações da maioria das empresas brasileiras nos próximos anos. Essa expansão depende de três pilares: maior oferta de energia, crescimento da capacidade de data centers e redes de alta performance com baixa latência.

A percepção geral é que o desenvolvimento da IA exige investimentos robustos em infraestrutura física, capaz de sustentar o aumento do processamento e do tráfego de dados.

A soberania de dados tornou-se uma prioridade estratégica para empresas brasileiras, segundo a pesquisa da DE-CIX. A interconexão local ganha relevância ao contribuir para segurança, desempenho, conformidade regulatória, gestão de riscos e maior visibilidade sobre o fluxo de informações. Nesse cenário, organizações têm adotado arquiteturas mais regionalizadas, reduzindo a dependência de rotas internacionais e aproximando o processamento dos usuários finais.

O estudo também indica consenso sobre a expansão do Edge Computing no país: mais de 99% dos entrevistados acreditam que as implementações devem triplicar até 2027, impulsionadas por aplicações que exigem respostas em tempo real, como serviços financeiros e soluções baseadas em inteligência artificial.

A tendência aponta para uma mudança na avaliação da infraestrutura digital. A performance passa a ser medida principalmente pela latência e pela proximidade dos pontos de processamento, e não apenas pela capacidade instalada, estimulando a criação de ecossistemas distribuídos e altamente conectados.

Para Darwin da Costa, a busca por Edge Computing e soberania de dados reflete a maturidade do mercado, que prioriza controle, eficiência e velocidade em um ambiente de demanda crescente por baixa latência.

O estudo da DE-CIX aponta que, apesar do cenário otimista para a infraestrutura digital brasileira, a adoção de estratégias multi‑cloud ainda avança de forma gradual. Apenas cerca de 40% dos entrevistados consideram provável uma migração completa para esse modelo até 2027, indicando desafios operacionais e um processo de maturação que ocorre em ritmo mais lento.

A pesquisa também destaca o papel das fintechs na transformação dos padrões de tráfego no país. Embora o impacto dessas empresas seja amplamente reconhecido, permanece a incerteza sobre a velocidade com que essas mudanças devem se consolidar.

Os dados foram coletados durante o Capacity LATAM 2026, em São Paulo, e no Interconnecting Rio, fórum promovido pela DE-CIX no Rio de Janeiro. Enquanto o Capacity LATAM reuniu representantes do ecossistema digital latino‑americano, o evento no Rio aprofundou debates sobre interconexão, infraestrutura e os desafios para sustentar a próxima fase de crescimento digital no Brasil, reforçando a posição estratégica do país no cenário global.