A Nutanix divulgou os resultados do oitavo Enterprise Cloud Index voltado ao setor financeiro, indicando que a adoção de inteligência artificial avança nas instituições, mas esbarra em limitações estruturais. De acordo com o levantamento, 68% dos líderes de TI afirmam que seus ambientes atuais não estão totalmente preparados para suportar cargas de trabalho de IA localmente.

O estudo mostra que os principais entraves não se concentram apenas na capacidade computacional. Para 38% dos entrevistados, os processos internos — como governança, coordenação de fluxos e operação — são as maiores barreiras. Outros 34% apontam desafios organizacionais, incluindo a falta de profissionais qualificados e o alinhamento da liderança, enquanto 28% mencionam restrições técnicas.

Segundo Leonel Oliveira, diretor-geral da Nutanix no Brasil, o setor financeiro já incorporou a IA em áreas como atendimento, análise de risco e prevenção de fraudes. Ele afirma que o próximo passo é criar condições para que essas aplicações evoluam com segurança, disponibilidade e controle, sem aumentar a complexidade operacional.

A pesquisa aponta que 66% dos executivos identificam o uso de aplicações ou agentes de IA implementados por equipes fora da área de TI. Para 86%, o emprego dessas ferramentas sem supervisão formal representa riscos aos negócios.

A falta de integração entre departamentos também é vista como um obstáculo: 83% dos entrevistados afirmam que os silos entre unidades de negócio e TI dificultam a execução de iniciativas tecnológicas.

Segundo a avaliação da Nutanix, o avanço da chamada shadow AI não deve ser tratado apenas como um problema de conformidade. O fenômeno pode indicar que as áreas de negócio recorrem a soluções externas por não encontrarem respostas rápidas nos canais oficiais.

Oliveira afirma que as instituições precisam oferecer meios seguros para o uso de IA. Ele defende que a governança combine políticas claras, proteção de dados, monitoramento e uma infraestrutura capaz de disponibilizar aplicações aprovadas com mais agilidade.

A pesquisa indica que a localização e o controle dos dados estão entre as principais preocupações das instituições financeiras. Para 79% dos entrevistados, a soberania de dados é uma prioridade elevada ou um requisito essencial nas decisões de infraestrutura. Além disso, 56% afirmam que precisam operar sua infraestrutura no próprio país ou em uma única jurisdição.

Apesar disso, 62% das organizações mantêm aplicações containerizadas em nuvens públicas. O relatório descreve essa diferença entre prioridade e prática como uma “dívida de soberania”. Na avaliação da Nutanix, o uso de nuvem pública pode acelerar projetos e facilitar o acesso a serviços de IA, mas exige atenção ao controle de dados e ao cumprimento de normas regulatórias à medida que as aplicações ganham relevância operacional. A expectativa é que o uso de nuvens privadas ou de ambientes locais para aplicações conteinerizadas suba de 43% para 52% nos próximos três anos.

Para Leonel Oliveira, a discussão não deve se limitar à escolha entre a nuvem pública e a infraestrutura local. Segundo ele, instituições financeiras operam aplicações com diferentes exigências de desempenho, proteção, custo e conformidade, e uma estratégia híbrida permite ajustar cada carga de trabalho ao ambiente mais adequado, acompanhando as mudanças regulatórias e de negócio.

Instituições financeiras também planejam ampliar a quantidade e a variedade de aplicações de IA nos próximos anos. Segundo o levantamento, 71% dos entrevistados esperam executar mais de cinco aplicações habilitadas por IA em três anos, e 24% projetam ultrapassar dez aplicações nesse mesmo período.

Entre as tecnologias ainda não implementadas, mas previstas para os próximos anos, destacam-se agentes autônomos ou IA agêntica, citados por 59% dos respondentes, inteligência artificial generativa, mencionada por 52%, e modelos de análise preditiva ou machine learning, apontados por 46%.

Os executivos consultados na pesquisa enxergam potencial para que os agentes de IA aprimorem a experiência de clientes e funcionários, transformem processos internos e impulsionem a criação de novos produtos, serviços e fontes de receita: 62% esperam melhorias na experiência dos usuários, 57% preveem mudanças em processos e operações, e 61% identificam oportunidades de geração de novos negócios.

Para a Nutanix, a expansão desses agentes torna ainda mais necessário o controle sobre modelos, aplicações, ferramentas e dados corporativos. Segundo Oliveira, um agente pode consultar informações, acionar sistemas e executar diversas etapas de um processo. Quando isso ocorre em escala, a instituição precisa saber quais recursos estão sendo utilizados, quais dados podem ser acessados e como cada ação pode ser acompanhada. O executivo conclui que o avanço da IA agêntica reforça a importância da integração entre infraestrutura e governança.

O crescimento da IA também vem alterando a arquitetura tecnológica do setor financeiro. Conforme o estudo, 90% dos entrevistados afirmam que a IA está acelerando significativamente a adoção de contêineres, e 89% esperam ampliar o nível de containerização em suas aplicações. Atualmente, 78% das instituições já desenvolvem novas aplicações em containers, um modelo que reúne código e componentes necessários para a execução em diferentes ambientes, facilitando a atualização, a portabilidade e a escalabilidade.

Essa transição, contudo, não implica o abandono imediato das tecnologias já existentes. A pesquisa aponta que 65% das organizações executam aplicações de IA combinando sistemas tradicionais em máquinas virtuais com aplicações modernas baseadas em containers, enquanto apenas 14% operam aplicações diretamente em servidores físicos — o que evidencia a permanência das máquinas virtuais na infraestrutura financeira.

O uso de aplicações containerizadas também avança em ambientes de borda, próximos ao local de geração de dados ou de tomada de decisão. Hoje, 57% das instituições executam esse tipo de aplicação na borda, proporção que deve alcançar 59% nos próximos três anos. Entre os possíveis casos de uso estão redes de agências, sistemas de negociação, terminais de atendimento e mecanismos de detecção de fraudes em tempo real. Desempenho (46%) e segurança dos dados (43%) figuram como os principais fatores considerados pelas instituições na adoção de contêineres.

  • 68% consideram a infraestrutura atual insuficientemente preparada para executar cargas de IA localmente;
  • 66% encontram ferramentas ou agentes de IA adotados por áreas fora da TI;
  • 86% avaliam que a IA sem supervisão oficial cria riscos para o negócio;
  • 90% afirmam que a IA está acelerando a adoção de containers;
  • 79% consideram a soberania de dados uma prioridade elevada ou indispensável;
  • 71% esperam executar mais de cinco aplicações habilitadas por IA em três anos;
  • 59% planejam adotar agentes autônomos ou IA agêntica nos próximos três anos.

Pelo oitavo ano consecutivo, a Nutanix encomendou um estudo global para avaliar o estado da adoção de nuvem, de containerização e de implantação de aplicações de GenAI. Realizada em novembro de 2025 pela Wakefield Research, a pesquisa reuniu respostas de 1.600 executivos de cloud, TI e engenharia, todos com cargo de gerente ou superior. Os respondentes representam organizações com 500 ou mais funcionários na Austrália, Brasil, França, Alemanha, Índia, Itália, Japão, México, Holanda, Arábia Saudita, Singapura, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos.